Fade to Black
PARTE I – O CASO
Stylesford é uma mansão de aspecto vitoriano, encravada na região central da Inglaterra. Qualquer pedestre que vislumbrasse sua bela e antiga fachada naquela tarde de sol, estranharia a rápida melodia de rock ‘N’ roll que vinha de seu interior. Na verdade, a música alta incomodava até mesmo alguns moradores da mansão. Richard Jones comentava irritado:
- Veja bem, Paul! É um absurdo esse noivo que nossa irmã arranjou! Um brasileiro cabeludo que passa o dia na sala de música, sempre ouvindo esse lixo!
O irmão balançou a cabeça, concordando:
- Tem razão! E o pior é que ele parece ouvir sempre essa música triste. “Fade to Black” não é muito apropriada para o clima em que estamos vivendo. Imagine só! Uma música que fala sobre suicídio!
Paul Jones, o irmão mais velho, tinha razão ao falar. Desde a morte de seu pai, ocorrida há um ano, as coisas iam de mal a pior em Stylesford. Infelizmente, Vitoria Jones, viúva do Coronel Jones, sofria de psicose maníaco-depressiva. Sua saúde mental era bastante instável, garantida apenas a base de duas capsulas de Lithium que ela precisava ingerir todas as noites.
Mesmo com o tratamento, Vitória estava com a saúde muito abalada. Durante a fase “maníaca” de sua doença, distribuía doações vultuosas da fortuna que o Coronel juntara durante sua vida. Já nas fases depressivas, era preciso muito cuidado para evitar que a angústia a levasse ao suicídio. Felizmente, o Lithium mantinha a situação em um equilíbrio estável.
A filha mais nova, Letícia, sempre havia sido a pessoa “alto astral” da casa. Seus belos olhos azuis combinavam perfeitamente com seu corpo suave, cheio de curvas. Sua delicadeza e determinação elevavam o ânimo de todos, principalmente o de sua mãe doente. No entanto, até mesmo Letícia andava tristonha e depressiva nas últimas semanas. Não havia adiantado nem mesmo trazer Roberto da Costa, o brasileiro que roubara o coração da moça, para passar suas férias na mansão da família Jones. Por algum motivo, Letícia continuava triste e deprimida, passando a maior parte do tempo trancada na sala de música com Roberto, ouvindo “Fade to Black” e coisas do tipo.
Paul Jones, 25 anos, alto e forte, notório gastador e aventureiro, sentia-se irremediavelmente preso àquela casa. Ele temia o pior, ou seja, sua mãe doando toda a fortuna para alguma entidade filantrópica. Ele odiava o irmão mais novo, que na sua opinião não passava de um pintor fracassado e covarde. O pior de tudo era ter que viver sob o mesmo teto, sem verba para poder sair e conhecer o mundo. Se ao menos sua mãe morresse… Ele comentou com Richard:
- Do jeito que vai, logo não haverá mais fortuna alguma por aqui…
Richard estava perdido em seus próprios pensamentos e falou em um tom irritado:
- Odeio esse cara que Letícia trouxe para cá. Se ao menos eu tivesse grana para me mandar daqui. Se ao menos…
A única pessoa na casa que parecia se importar mais com Vitória Jones do que com o seu dinheiro era a velha e fiel empregada Helena Polanski. O Coronel Jones e Vitória deram todo o auxílio que Helena precisou quando teve que fugir da Polônia, durante o obscuro período da Guerra Fria. Desde aquela época, Helena havia jurado fidelidade aos patrões. Vendo os dois irmãos cochicharem baixinho, ela pensou revoltada: “Canalhas! Só querem beber o sangue da Sra. Jones. Ah! Mas isso eu não vou permitir! Jamais!”
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Naquela noite, precisamente às 21:30, a Sra. Jones, que nem havia tocado em seu jantar, apanhou uma xícara de chá, levantou-se e disse:
- Preciso tomar uma decisão muito importante meus filhos. Vou para meu escritório e não quero ser perturbada. Helena! Leve mais uma bandeja de chá para mim daqui a uma hora.
Ela ia saindo da sala. Uma triste e alta figura carregando tremulamente sua xícara de chá. Parou por um instante, virou-se e acrescentou:
- Não se preocupem crianças, vocês vão ficar bem.
Richard e Paul se entreolharam. O que será que viria agora? Mais doações? Já Letícia pareceu nem ouvir as palavras da mãe, perdida em sonhos de sua vida futura com Roberto.
A empregada começou a retirar a mesa. Declarando não estar com ânimo para nenhuma conversa, Letícia subiu para seu quarto. Roberto foi para a sala de música. Não demorou muito, e “Fade to Black” ressoou pela casa.
Ao ouvir os primeiros acordes, Paul ficou furioso. Pareceu tomar uma decisão naquele momento. Levantou-se e saiu rapidamente. Richard ficou sozinho, perdido em pensamentos.
Durante a hora que se passou, uma discreta, porém intensa movimentação tomou conta da mansão.
Às 22:30, Helena bateu na porta do escritório de sua patroa, não obtendo resposta alguma, ela girou suavemente a maçaneta e entrou no recinto.
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O inspetor Schreiner, encarregado pela Scotland Yard para conduzir a investigação sobre o assassinato da Sra. Vitória Jones, comentava com seu assistente:
- Nem dá pra acreditar numa coisa dessas! A mulher foi apunhalada pelas costas e ainda por cima levou um tiro! Vamos recapitular novamente o caso!
Pela milésima vez, O assistente tornou a ler as anotações:
- Às 22:30 da noite passada, a empregada Helena Polanski encontrou sua patroa, Vitória Jones, morta no escritório de sua casa. A Sra. Jones foi vista com vida pela última vez às 21:30, quando se dirigiu ao escritório. Era hábito da falecida proceder assim todas as noites.
“A Sra. Vitória Jones levou um tiro, disparado por uma arma com silenciador. Esta pistola foi retirada da sala de armas do Coronel Jones, que em vida fora um colecionador fanático por material bélico. O tiro foi disparado de fora da casa, atravessou a grande janela veneziana e alojou-se no peito da vítima. Apesar de estar sentada na cadeira ao lado da mesa de chá, ou seja, de fronte para a veneziana, a vítima parece não ter notado a aproximação do assassino.”
- E a arma já foi encontrada? – perguntou o inspetor.
- Sim senhor! Estava escondida, sem impressões digitais, em uma das gavetas da cômoda do quarto de Richard Jones.
- Francamente! Que tentativa grosseira de se incriminar alguém!
- Concordo senhor. Bem, continuando… A vítima podia já estar morta quando o disparo foi efetuado. Havia um ferimento profundo em suas costas, proveniente de um punhal. Sabemos que foi um punhal, pois o mesmo foi entregue ao policial Simpson por Roberto da Costa, brasileiro, que está passando suas férias aqui nesta casa. Ele é noivo de Letícia Jones.
“Roberto diz ter encontrado o punhal logo na entrada de seu quarto. Intrigado, ele apanhou o punhal do chão e reparou que havia sangue nele. Ele estava olhando para o punhal, quando o grito da empregada alarmou toda a casa. Logo, todos se encontraram no escritório, onde a empregada gritava desesperada e apontava para a cena dantesca da Sra. Jones morta…”
Os dois investigadores se olharam. Brasileiro… guitarrista e cabeludo… Provavelmente dando o golpe do baú… Somente suas impressões digitais no punhal… O inspetor comentou:
- Pode ter sido um plano para confundir todo o caso. Afinal, se a empregada não tivesse recebido ordens para levar um chá para a vítima às 22:30, o crime só teria sido descoberto na manhã do dia seguinte.
- Não senhor. A filha mais nova, Letícia, era o “anjo da guarda” da Sra. Jones. Toda a noite, às 23:00, a garota tinha que se certificar que a mãe ingeria o Lithium. Toda pessoa que é maníaco-depressiva, como a sra. Jones era, precisa ser vigiada nesse ponto, pois é comum que, na fase maníaca, o doente se recuse a tomar o remédio. Dessa forma, se a empregada não tivesse descoberto o crime, meia hora depois a filha o teria feito.
O inspetor sempre se impressionava com a eficiência de seu assistente. “Esse garoto vai longe…”. No entanto, não era o momento de se perder em devaneios. Ele seguiu perguntando em tom profissional:
- Já averiguou o que cada um fez entre 21:30 e 22:30?
- Sim. Ninguém ouviu nada, ninguém viu nada! Paul diz que ficou lendo na biblioteca. Richard e Letícia estavam em seus quartos, indispostos. A empregada Helena estava lavando os pratos na cozinha. Por fim, Roberto ficou na sala de música, colada ao escritório. Ele nega ter ouvido qualquer ruído por estar com o aparelho de som ligado. Logo após às 22:30, ele subiu para seu quarto. Foi quando encontrou o punhal e ouviu os gritos da empregada.
Nesse ponto, o assistente Gerard fez uma pausa significativa. O inspetor acompanhou o raciocínio, mas preferiu abordar outro tema:
- E quanto a herança?
- Há um testamento antigo, feito ainda quando o Coronel era vivo. A herança ficou dividida em três partes iguais, uma para cada filho. Há uma quantia de dez mil libras para a empregada e mais cem mil libras em doações. No final das contas, cada irmão vai receber cerca de 5 milhões de libras.
- Belo motivo para um crime. – disse o inspetor, assobiando.
- Há um ponto interessante aqui, senhor! Encontramos vestígios de um papel grosso, do tipo que se usa em testamentos. Este papel foi queimado na lareira do escritório. Ainda não é época de acender a lareira, por isso suspeito que tenha sido queimado ontem à noite, tão depressa que alguns palitos de fósforo chegaram a cair da caixa, ficando espalhados ao lado da lareira.
- Isso é no mínimo peculiar. Será que era um testamento novo? Conseguiram recuperar alguma parte?
Somente algumas palavras escassas, a letra era da vítima, já verificamos. Aqui está a lista das palavras recuperadas:
“a vida parece vai esm…”
“o vazio me enche…”
“preciso do….. …. libertar.”
O inspetor analisou as frases e comentou:
- Que tipo de testamento pode ser esse? Bem, de qualquer modo, temos que determinar se ela morreu devido a apunhalada ou devido ao tiro…..
Em resposta a questão do inspetor, uma nova voz fez-se ouvir na sala:
- Nem por uma causa, nem por outra. Ela morreu devido a ingestão de uma alta dose de cianureto de potássio, presente na xícara de chá que ela bebeu no escritório.
Quem disse isso foi o Dr. Shephield, médico legista que acabara de entrar na sala do inspetor. Por falar no inspetor, seus olhos estavam alarmantemente esbugalhados. Mal conseguiu balbuciar:
- Pelo amor de Deus! Que loucura é essa? Isso é impossível!
- Nem tanto… – continuou o médico. – O fato da vítima já estar morta explica a quase ausência de sangue nos ferimentos provocados pela bala e pelo punhal. Provavelmente, ela tomou o chá e caiu, com a cabeça pendida para o lado. Quem atirou, pelo lado de fora da casa, só deve ter visto a pobre mulher inclinada, e pensando que ela dormisse sentada, atirou no peito. Isso fez seu o corpo da vítima tombar um pouco para frente. Por fim, quem a apunhalou nem perdeu tempo observando nada. Apenas entrou na sala, viu a pobre mulher inclinada na cadeira e… Aproveitou a oportunidade para cravar o punhal e fugir rapidamente!
- Que covardia! Atacar uma mulher pelas costas! – o inspetor estava indignado – Bem doutor, não me diga que o senhor achou MAIS alguma coisa na autópsia? Juro por Deus que se também houver algum traço de arsênico ou estricnina no sangue, eu mudo de profissão!
O Dr. Shephield ficou muito sério. Sua resposta foi precisa, como de costume:
- Fique tranqüilo. Não encontrei absolutamente mais nada no sangue da Sra. Jones. O motivo da morte foi mesmo o cianureto. Também achei vestígios do veneno na xícara de chá que ela levou para o escritório. Vocês agiram muito bem ao enviar tudo para análise. A Scotland Yard não deixa escapar nenhum detalhe hoje em dia.
O assistente Gerard, pensando em promoções, falou logo:
- Havia um vidro com cianureto de potássio entre os apetrechos de jardinagem. O Coronel Jones comprou o veneno uma vez para dar fim a um ninho de vespas.
O inspetor Schreiner levantou-se e comentou animado:
- Vamos abordar primeiro a questão do punhal.. Quero ver o que acontece quando pressionamos um certo brasileiro…
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Roberto da Costa estava desesperado. Nem as carícias amáveis de Letícia podiam consolá-lo:
- Calma amor. Ninguém vai prender você. A polícia só está blefando…
- Que nada! Eu ouvi as insinuações do inspetor. Aquele monte de perguntas sobre as minhas atividades no Brasil! Eles me querem como bode expiatório! Eu não apunhalei sua mãe! Você acredita em mim, não?
Letícia respondeu com o tom de voz que usaria para acalmar uma criança:
- Eu sei, querido. Afinal, por que você faria uma coisa dessas? Fique tranquilo amor, eu acredito em você!
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Thomas Gerard estava indo ao encontro de sua namorada. O dia havia sido extremamente estafante. O caso que estava investigando parecia não progredir muito. Nunca em sua carreira se deparara com tamanho enigma. O pior era ter que trabalhar seguindo os métodos do inspetor Schreiner, que não era propriamente um investigador de talento. O lema do inspetor parecia ser: “acusar todo mundo até que o culpado confesse…”
Ele chegou ao local marcado para o encontro, casualmente em frente a uma loja de cd´s. Nem sinal de sua namorada. Em um súbito impulso, Gerard entrou na loja. Havia algo que ele precisava tirar a limpo. Dirigindo-se ao vendedor, perguntou:
- Com licença. Estou procurando um cd com uma música de rock ‘N’ roll muito famosa chamada “Fade to Black”. Conhece?
O vendedor, que portava um crachá ponde se podia ler “Samael Darcangelo” não conseguiu disfarçar o espanto e falou entusiasmado:
- Quem não conhece esse clássico! Uma das mais famosas baladas do heavy metal! blá blá blá… – seguiu-se uma explicação de pelo menos meia hora sobre a importância da banda Metallica, sua história, etc., etc. E muito etcs. Na seqüência.
Gerard testou sua paciência ao máximo, mas chegou num ponto em que não resistiu mais e interrompeu o falatório:
- Claro… claro… está bem! Mas eu só estou precisando dar uma olhada na letra dessa música.
O vendedor apanhou então um cd com uma estranha capa, misturando raios e uma cadeira elétrica, e alcançou-o para Gerard. Lá estava a letra:
“A vida parece, vai esmorecer,
a deriva, cada vez mais longe…”
Naquele instante, Thomas Gerard percebeu tudo. Todos os fatos se encaixaram na ordem exata. Com certeza, sua promoção estava a caminho! Sua namorada, que chegava naquele instante, não conseguiu entender por que foi agarrada, jogada ao ar, abraçada e beijada efusivamente.
PARTE II – SOLUÇÃO
O inspetor Schreiner, ainda sob o efeito da fantástica revelação do caso, comentava com o seu ex-assistente, agora também inspetor Gerard:
- Ainda não consigo entender claramente tudo que aconteceu! Você deve ter usado uma bola de cristal para seguir a pista certa! Se nós não tivéssemos pressionado a empregada…
Thomas Gerard ajeitou-se na cadeira do pub local, onde o alto escalão da Scotland Yard costumava se reunir ao final do dia para comentar os assuntos do momento. Havia pelo menos cinco inspetores de olho na conversa, também ansiosos para entender direito o que havia ocorrido em Stylesford. Pacientemente, o inspetor Gerard pôs-se a recapitular todo o caso:
- Às 21:30, Vitória Jones entra no escritório com uma xícara de chá na mão. Ela está numa grave fase depressiva de sua doença. Mais do que isso! Ela está pensando em se matar! Ela senta na cadeira perto da janela e escreve a sua carta de despedida. O conteúdo da carta é a letra de “Fade to Black”, que andava tocando muito naquela casa nos últimos dias. Tratam-se de palavras de despedida, por não mais suportar o peso da vida…
“Ao terminar a carta, ela coloca cianureto de potássio, que havia previamente retirado do material de jardinagem, em seu chá. Em seguida, ela bebe o líquido envenenado e adeus Sra. Jones.”
“No entanto, Paul Jones estava imaginando que sua mãe faria um novo testamento em benefício dos pobres e resolveu agir antes que aquilo ocorresse. Ele apanhou a pistola com silenciador, aproximou-se furtivamente pela janela e, julgando que a mãe dormisse na cadeira, disparou… Canalha! Em seguida, escondeu a arma no quarto do odiado irmão, Richard.”
“Porém, Richard também queria se livrar da mãe. Sendo um notório covarde, ele invadiu furtivamente o escritório, provavelmente minutos após a “atuação” de Paul, e atacou a mãe pelas costas, fugindo em seguida. Maldito seja esse covarde! Foi ele quem deixou o punhal na entrada do quarto de Roberto para tentar incriminá-lo.”
“Finalmente, a empregada entra no escritório. Helena Polanski vê sua amada patroa morta. Aproxima-se do corpo e percebe os ferimentos. Imediatamente, nota que ela foi assassinada e sabe quem foram os malditos que fizeram isso! E mais do que isso! Ela vê também a carta ao lado do corpo, junto um vidrinho que ela já havia visto antes e sabia que continha veneno! Então, ela lê a carta e percebe que sua patroa cometeu suicídio!”
“Ah! Mas os canalhas vão ter que pagar de algum modo! Rapidamente, ela queima a carta e esconde o vidro de cianureto. A polícia que investigue! Com uma marca de punhal e outra de bala, certamente ninguém vai procurar veneno no sangue da patroa. E, se acharem, ninguém deve saber que ela se matou. Os dois irmãos tem que sofrer pelo que fizeram!”
Nesse ponto, o inspetor Schreiner interrompeu:
- É! Mas infelizmente para Helena, a perícia do Dr. Shephield foi minuciosa e você matou a charada! Além disso, ela se esqueceu da xícara de chá! Foi só pressionar um pouco que ela confessou tudo! Coitada! Não posso deixar de inocentá-la. Ela tentou nos enganar, mas no fundo queria apenas que aqueles miseráveis pagassem de alguma forma!
O novo inspetor aproveitou a deixa:
- No entanto, aqueles dois canalhas não vão se livrar tão fácil assim! A Scotland Yard vai tentar levá-los ao tribunal, afinal de contas, eles tiveram a intenção de matar! De qualquer forma, a imprensa já caiu em cima dos dois! Vai demorar muito antes que tenham paz para aproveitar o dinheiro!
Pensativo, o inspetor Schreiner concluiu:
- A única que presta ali é a filha mais nova. Parece que ela e o tal Roberto partiram juntos para um paraíso tropical. Tomara que a linda moça aproveite bem o dinheiro que recebeu. Poucas pessoas neste mundo merecem a felicidade…
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Letícia Jones estava observando seu amado noivo mergulhar nas ondas azuis do mar caribenho… Um rolo de capim passou pelo cenário, enquanto Letícia refletia e concluía que ela e Roberto tinham uma bela vida juntos pela frente e cinco milhões de libras garantiriam o futuro.
Ela segurava na mão um pequeno frasco, sorria e pensava consigo mesma:
“Que tolos! Paul sempre foi intrépido e Richard sempre foi um covarde! Não me admira que tenham agido daquela forma tosca! Quase colocaram tudo a perder! Bem feito! Que a imprensa os massacre por quase arruinarem os meus planos! Será que meus irmãos nunca perceberão que a sutileza é a melhor arma?”
Sim, e como Letícia havia sido sutil! Primeiro fingir depressão e fazer o clima da casa ficar péssimo. Depois, trazer o noivo para dentro do lar e insistir em ouvir sempre aquela música sobre morte e suicídio… Pobre Roberto! Tão ingênuo. Ela dizia que “Fade to Black” era a única coisa que a animava um pouco. Será que ele não podia pô-la para tocar de novo?
A velha mãe, de saúde frágil, não demorou muito até entrar numa fase depressiva de sua doença. Uma daquelas fases em que havia grande risco de suicídio… Um risco muito ampliado, devido ao ambiente que sua filha estava cuidadosamente criando nas últimas semanas.
É claro que, se sua mãe estivesse tomando aquela alta dose de Lithium todas as noites, certamente o risco de suicídio seria bem menor. Isto é, se estivesse tomando, pois o que Letícia tinha em suas mãos agora era o último frasco de Lithium, que ela havia habilmente furtado logo após a descoberta da morte. Neste frasco, havia apenas pílulas de água com açúcar. Uma pequena, mas brilhante idéia… Uma idéia que valeu cinco milhões de libras.
“É engraçado…” – pensou Letícia – “A polícia chegou a ter o caso nas mãos! O Dr. Shephield foi muito eficiente ao descobrir cianureto de potássio no sangue. Mas, ao mesmo tempo, ninguém notou o elemento que faltava! Tivessem tido mais atenção e teriam percebido que não havia nenhum traço de Carbonato de Lithium no corpo de minha mãe.”
F I M
adrianastrix disse,
Agosto 11, 2008 às 11:47 am
# É em horas como essa que entendo porque certas mães comem seus filhotes ainda no ninho… o_o
# Você é demais, Sam. =3