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	<title>Duckburg Library</title>
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	<description>Coleção de mistérios para serem resolvidos pelos mais espertos</description>
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		<title>Duckburg Library</title>
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		<title>Jangada Amarela</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 00:46:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Dedicado para Lisa, Sabrina, Luciana (todas elas), Raquel, Daniel, André, Manoela e a todos os demais fãs de um certo quarteto de Liverpool&#8230; &#8220;The fool on the hill sees the sun going down And the eyes in his head sees the world spinning round&#8230;&#8221; &#8220;Um mistério digno dos livros de Agatha Christie&#8221;. Era desta forma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=28&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><em>Dedicado para Lisa, Sabrina, Luciana (todas elas), Raquel, Daniel, André, Manoela e a todos os demais fãs de um certo quarteto de Liverpool&#8230; </em></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="right"><em> &#8220;The fool on the hill sees the sun going down<br />
And the eyes in his head sees the world spinning round&#8230;&#8221;</em></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">&#8220;Um mistério digno dos livros de Agatha Christie&#8221;.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Era desta forma que os jornais estavam tratando o intrigante caso do Homem do Piano. Tudo havia começado há algumas semanas, em uma estrada praiana da ilha de Sheppey, no condado de Kent (sul da Inglaterra). Já era fim de tarde quando George, o guitarrista aposentado, avistou um homem seminu saindo do mar. Pensando tratar-se de um naufrago, o ex-guitarrista se apressou em socorrer o sujeito. No hospital da cidade, os médicos que o examinaram diagnosticaram estafa devido a um profundo esforço físico. O naufrago tinha uma aparência mista entre o latino e o inglês clássicos. O tom de sua pele indicava que ele havia passado bastante tempo sob efeito do sol.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">O mais estranho, contudo, era que o homem não falava uma palavra sequer. Apesar de reagir a estímulos e mostrar que tinha reflexos e compreendia o que estava ocorrendo a sua volta, nem mesmo a famosa equipe de psiquiatras liderada pela Dra. Luthien Bertiniel fora capaz de arrancar uma palavra sequer da boca do pobre coitado. Claro que a equipe da Dra. Bertiniel não se esqueceu de deixar o taxímetro ligado enquanto tentava fazer o homem falar. Deste modo, os psiquiatras é que não saíram no prejuízo ao final das frustradas tentativas.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">O caso rapidamente ganhou os jornais do país. Que estranho homem era aquele, que surgira quase nu em uma praia remota do país? Por que não falava? Que estranhos horrores haviam ocorrido com o mesmo? E os farrapos de roupa que ele vestia? Por que as etiquetas de tais peças de roupas haviam sido cortadas? Nada fazia sentido.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Por uma feliz casualidade do destino, Paul, o famoso empresário do mundo musical, responsável pela descoberta das Spice Girls, estava justamente de férias naquela região e, como todo mundo, correu para o hospital a fim de ganhar uma publicidade gratuita ao lado do homem desmemoriado. O encontro foi registrado por jornalistas do Daily Mirror e, num momento de inspiração, Paul se ofereceu para tocar uma canção ao piano para ver se amenizava o semblante perturbado do estranho paciente. Foi uma sorte. Bastou avistar o piano na sala de música do hospital, que o naufrago se atirou a ele e começou a tocar uma melodia que logo foi reconhecida pelos presentes: Fool on the hill.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">No dia seguinte, estava estampado em todos os jornais: &#8220;Homem do Piano se comunica somente através da música&#8221;.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">As mais fantasiosas teorias surgiram em todos os cantos. A que ganhou mais força foi logicamente a que fazia mais sentido para os telespectadores (em sua maioria fãs de Big Brother Inglaterra). A teoria afirmava que o homem era um inglês que havia sido abduzido por alienígenas há mais de 150 anos. Viajando na nave espacial, ele só conseguia se comunicar com os seres extraterrestres através da música de um piano. Agora, quando os ET&#8217;s o haviam devolvido à Terra, o homem do piano só conseguia se comunicar através da música. Tal teoria foi corroborada pela descoberta de que um piano de cauda havia desaparecido no condado de Blackburn, Lancashire, há exatamente 150 anos. Foi feita até uma missa em desagravo à memória do pároco local daquela época, que havia sido acusado de sumir com o tal piano em troca de dinheiro para as reformas da sua igreja.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">O empresário Paul não perdeu tempo e adquiriu todos os direitos de reprodução e distribuição das músicas produzidas pelo desmemoriado. Enquanto isso, a teoria da abdução por alienígenas sofreu um grande abalo. O mesmo George que havia encontrado o homem resolveu investigar o caso mais profundamente e acabou localizando na mesma praia, a apenas algumas centenas de metros do local, destroços de uma jangada amarela.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Foi então que uma carta anônima chegou ao Daily Mirror, esclarecendo todo o caso. A carta estava assinada pelo Sr. U. N. Owen, que afirmava ser um ex-agente secreto cubano e que preferia permanecer incógnito devido à dramática revelação que iria fazer.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Segundo o Sr. Owen, havia mais de uma década que o ditador cubano Fidel Castro ordenara a construção de uma área 51, altamente sigilosa, em sua ilha. Tal área secreta se destinava à criação do &#8220;super socialista&#8221;, o homem perfeito e fiel ao regime. Durante todo esse tempo, crianças haviam sido seqüestradas de todos os cantos do mundo e levadas para tal área secreta, onde sofriam todo tipo de experiência. O tal pianista desmemoriado fora seqüestrado de Portugal quando criança e desde então tinha sido forçado a se comunicar com o mundo somente através do piano. A esperança de Castro era produzir um ser geneticamente capaz de igualar as composições de Mozart e de Beethoven, só que em ritmo de Salsa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Em desespero, o homem do piano havia conseguido arrancar estacas da cerca amarela que cercava toda a área 51 cubana e, com elas, fez uma jangada para fugir em direção a Miami. Infelizmente, ele era um músico português e não um marinheiro e, por causa disso, errou o caminho, vindo parar na Ilha de Sheppey.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">O caso provocou então uma comoção nacional! Apesar de os mais céticos acharem a história um pouco inverossímil, a grande maioria dos ingleses, seguidos pelos europeus, seguidos pelo resto do mundo, logo estava idolatrando o homem do piano e sua luta dramática pela liberdade. Fotos de satélite até mostravam que em algum ponto da ilha cubana havia realmente algo amarelo, que poderia ser a tal cerca. No entanto, um pesquisador desocupado notou que um dos pedaços de madeira que fora encontrado na praia inglesa tinha um carimbo onde se podia ler: &#8220;Made In Liverpoo&#8230;&#8221;. Alguns mandaram o desocupado arranjar o que fazer e outros botaram ainda mais lenha na fogueira: &#8220;Castro anda roubando nossa madeira!&#8221;. Já havia até proposta de guerra contra Cuba.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Alheios a esse bafafá todo, Paul e George não perderam tempo, marcando logo uma série de shows com o pianista cubano, que sairia em turnê internacional, apresentando composições de sua própria autoria para se comunicar com o mundo. Alguns compositores de música clássica criticaram o evento, alegando que as composições não tinham nada de Mozart ou de Beethoven. Na verdade, eram até bem ruinzinhas. No entanto, a grande maioria logo censurou tais criticas, afirmando que partiam de despeitados, inconformados com o sucesso de um pobre latino de aparência inglesa.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><strong>Epílogo:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Na madrugada após o primeiro grande concerto em Picadilly Circus, Paul e George se preparavam para abrir um champagne em uma luxuosa sala de um hotel cinco estrelas. O show fora um tremendo sucesso e as vendas dos produtos do Homem do Piano estavam a mil. Naquele momento, alguém bateu na porta do quarto. Era Richard, um amigo de longa data, que estava chegando de longa viagem. Após os abraços e cumprimentos efusivos, Richard quis logo saber:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Que história de Homem do Piano é essa? Acharam uma Mina de Ouro, hein?</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Paul não conteve o riso e respondeu:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Alguns acham ouro, meu amigo, outros são sábios o suficiente para pintar estacas de amarelo.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Desconfiado, Richard, que não era muito famoso por suas habilidades mentais, perguntou:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Tá! Mas o que aconteceu por aqui enquanto eu estive fora?</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Nesse momento, saiu do banheiro e juntou-se aos três amigos ele, o Homem do Piano. De banho tomado e tendo tirado através de produtos químicos o tom de bronzeado artificial que um óleo produzia em sua pele, ele parecia mais inglês do que nunca. Richard exclamou:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- John!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">E o Homem do Piano respondeu:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Parabéns! Você acertou o meu nome!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">O rosto de Richard era só pontos de interrogação. Os outros três se apiedaram e Paul iniciou as explicações:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Após o sucesso artificial que consegui com as Spice Girls, eu conclui que o público aceita qualquer coisa, desde que você ofereça essa coisa envolvida em uma comovente lorota qualquer. Lembra do caso das Spice, não? Cinco modelos que juntei num apartamento e todo mundo acreditou que aquelas beldades haviam se conhecido por acaso e que eram pobres e que a música havia mudado suas vidas, blá, blá, blá&#8230; Enfim, eles aceitam qualquer absurdo. Lembra das histórias que inventamos sobre a capa daquele disco antigo?</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“Pois então. Desta vez eu precisava lançar um tipo de som novo para ganhar mais alguns milhões. A idéia foi usar os conhecimentos ao piano do nosso John aqui. Só que, apesar de ser um esforçado estudante de piano, ele jamais chegará a ser um virtuose. Nesse caso, o que fazer? Bom, com a ajuda do George, armamos a história do naufrago pianista.&#8221;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">George interrompeu:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Foi simples. Bastou fazer os contatos corretos para assegurar que a imprensa estivesse presente. John se mostrou um excelente ator e a única parte complicada foi pintar aqueles pedaços de pau de amarelo para lançar a história sobre o refugiado cubano! Caramba! Tanto cuidado e mesmo assim deixei passar aquele carimbo&#8230;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">John sentou no sofá e desatou a rir:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Caras! Ainda não entra na minha cabeça como é que acreditaram nessa história!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Richard estava atônito. Lentamente, a explicação entrava em sua mente. Ele disse:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Seus sujos! Nem me convidaram para participar disso! E tiveram muita sorte, ainda por cima! Conseguiram vestir o John com roupas que não o denunciaram!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Paul se sentiu ofendido:</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- Sorte uma ova! Cortamos todas as etiquetas que pudessem revelar que os trapos que preparamos para ele eram ingleses! Sorte uma ova, foi talento!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">- HAHAHAHAHAHAHA!</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">Nesse ponto, todos ergueram suas taças e brindaram felizes. Afinal de contas, era inegável que aquele quarteto tinha um longo histórico de talento nesse tipo de negócio.</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center"><strong>FIM</strong></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/28/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/28/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=28&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Através do Espelho</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 00:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Estou amarrada.&#8221; Este foi o primeiro pensamento que veio a cabeça da bela Alice tão logo ela recuperou a consciência. Ainda entorpecida, ela procurou identificar o lugar onde se encontrava. Era uma sala comercial pequena, vazia e mal iluminada. A cadeira onde a haviam amarrado estava há dois metros da vitrine. Entre a cadeira e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=24&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;Estou amarrada.&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Este foi o primeiro pensamento que veio a cabeça da bela Alice tão logo ela recuperou a consciência. Ainda entorpecida, ela procurou identificar o lugar onde se encontrava. Era uma sala comercial pequena, vazia e mal iluminada. A cadeira onde a haviam amarrado estava há dois metros da vitrine. Entre a cadeira e a janela da vitrine havia uma pequena mesa, muito próxima da garota e onde vários objetos estavam cobertos por uma toalha xadrez. Um ruído de &#8220;tique-taque&#8221; indicava o tipo de objeto que estava por baixo do pano.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Alice sentia seus pulsos dormentes, pois as cordas que a prendiam estavam muito apertadas. Ainda em estado de torpor, ela olhou através da vitrine. Podia ver o movimento de pessoas na calçada. Algumas até mesmo olhavam para dentro da loja, mas todas pareciam ignorar a situação da garota. Por que isso? Ela sabia que o Rio de Janeiro era uma cidade violenta, mas será que as pessoas já estavam habituadas a ver garotas de quatorze anos amarradas em cadeiras? Alice fixou o olhar para além da rua e percebeu, do outro lado, uma praça com um belo chafariz central. Foi então que sua mente clareou&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ela lembrou que havia marcado um encontro para às 09:00 horas com um amigo que havia feito pela internet. Lembrou que ele havia sugerido o encontro em frente a uma lojinha, perto da grande praça com chafariz&#8230; Uma loja inconfundível, pois pertencera ao avô dele. Uma loja antiga, que estava sempre fechada e que, ao invés do vidro da vitrine, tinha um grande espelho ocupando seu lugar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Alice lembrou-se de ter esperado pelo amigo em frente a esse grande espelho. Lembrou-se de que ele chegou pontualmente no horário marcado e, com um tom muito simpático, abriu a loja e convidou-a a conhecer seu interior. Apesar de ser o primeiro encontro, a curiosidade da garota falou mais alto, afinal, o que havia por trás do espelho? Tão logo entrou na loja, o seu &#8220;amigo da internet&#8221; fechou rapidamente a porta e colocou um pano encharcado em um líquido nauseante na boca da jovem. Ela tentou lutar, mas aquele cheiro era insuportável&#8230; Ela tremeu ao se lembrar daquela súbita perda de consciência, sendo forçada a desmaiar nos braços de&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; SAMAEL!!!!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> A garota gritou o nome e, como que por encanto, um figura vestida de negro surgiu atrás dela. De onde ele havia surgido? Alice podia virar a cabeça e fazendo isso percebeu que, além da porta principal, ao lado da vitrine, havia também uma porta menor no fundo da salinha. Samael havia entrado por aquela porta dos fundos e parecia muito bem humorado quando falou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Jovem garota! Você fica ainda mais linda com esses grandes olhos negros transmitindo todo esse pavor. Linda mesmo! <em>Sabe o veneno se vestir em melhor frasco?</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><em> </em>- Me solte! Seu&#8230; Seu&#8230; LOUCO! Essa brincadeira não tem a menor graça! Meus braços doem! ME SOLTE!!!!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Samael riu e Alice percebeu na mesma hora a gravidade da situação em que se encontrava, pois aquele riso não tinha nada de divertido. Era um riso doentio, o tipo de som que só podia vir de um lunático.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Tenho um presente para você, minha bela morena! Você ainda não viu aqui nesta mesinha? Ah! Mas que tolice a minha! Deixei o presente coberto! Permita-me mostrá-lo melhor&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Com um gesto teatral, Samael retirou a toalha xadrez e Alice pode ver o seu presente. Sobre a mesinha havia um relógio despertador atado por vários fios, alguns vermelhos e outros laranjas. Todos os fios estavam atados a três cilindros marrons. Onde ela havia visto aqueles cilindros antes??? Pareciam tão familiares&#8230; Sim, ela lembrava!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Uma vez ela visitou seu pai no trabalho. Foi bem no dia em que ele estava supervisionado as atividades para a implosão de um prédio. Eles usavam aqueles mesmos cilindros marrons&#8230; DINAMITE! Uma bomba!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> O rosto de Alice ficou branco. Seus lindos olhos negros ficaram ainda maiores. Se ela nunca tivesse visto, na certa acharia que tudo era uma brincadeira. No entanto, ela conhecia dinamite e agora estava olhando para uma bomba-relógio. Samael notou o olhar de compreensão da garota e riu ainda mais alto:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Vê a hora no despertador? 11:35! Por um momento, achei que você não acordaria a tempo de ver o espetáculo. Sabe, eu te quero bem acordada e olhando para esse relógio, pois quando ele chegar ao meio-dia&#8230; Vai ser um estouro! HUAHUAHUAHUAHUA!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Alice começou a gritar a plenos pulmões. Impossível que as pessoas passassem na calçada sem ao menos notar seu desespero. Samael aproximou-se do rosto da garota. Ela parecia ainda mais frágil, pois sua constituição delicada e morena contrastava muito com a pele branca e a altura do seu algoz. O gaúcho de mais de um metro e oitenta colocou a mão sobre o ombro da garota e sussurou gentilmente em seu ouvido:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Shhhh&#8230; Não adianta gritar. A sala é toda revestida e a prova de som. Como aquelas salas de interrogatório policial, sabe? E aquela história que te contei do meu avô era mentira. Nunca tive avô nenhum. Comprei a sala usando um nome falso e fiz algumas reformas nela&#8230; Tudo para este grande dia! Tudo para o dia de sua morte, querida Alice! Não vai me agradecer?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Dizendo isso, Samael beijou a face da garota que fe uma careta de nojo. Havia algo de obsceno naquele beijo. Apavorada, Alice deixou as lágrimas correrem soltas pelo seu rosto, mas não sem antes morder violentamente a orelha do lunático. Ele afastou-se.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Por quê? &#8211; gritou Alice &#8211; por quê???</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Samael tirou uma faca de pescador da cintura e colocou-a sobre a mesa, bem próximo a Alice. Então ele afastou-se em direção a porta dos fundos e disse, imitando a voz de uma criança:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; O cão argentino de três cabeças&#8230; O reizinho de papel&#8230; Lálálááá&#8230; Gostei da mordida! Eu me divertiria mais tempo com você, mas sabe, meio-dia vem aí! Vai ser um espetáculo para se ver de longe! Divirta-se sozinha, olhando para a faca que eu deixei aí pertinho. Se pelo menos tuas mãos não estivessem atadas a cadeira, não é mesmo??? HAHAHA!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ele saiu pela porta dos fundos, não sem antes amarrar um fio de nylon na maçaneta, esticando-o até algum ponto do outro lado e deixando aquela porta entreaberta.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong> 11:37</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Alice estava sozinha. Tantas pessoas passando pelas ruas e ninguém tinha noção do seu drama! Ela pôs-se a gritar, pois talvez alguém no beco dos fundos ouvisse seus apelos, já que a portinha estava entreaberta. &#8220;SOCORRO!!! SOCORRO!!! SOCORRO!!!!!!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:39</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Nenhuma resposta. O beco dos fundos era obviamente um vão entre dois prédios comerciais, que estavam vazios naquele domingo. Se Alice estivesse gritando no beco, talvez alguém chegasse a ouvi-la até mesmo na rua em frente, mas ela estava dentro da loja, o som mal chegava ao beco. Esperar que seus gritos fossem ouvidos na parte da frente da loja era loucura.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ela precisava se desamarrar! Engoliu o choro e lutou para conter as lágrimas que insistiam em sair de seus olhos. Aquele era um momento de lutar! Lutar por sua vida!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:42</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Alice começou a estudar sua situação. A cadeira era de madeira e estava cimentada ao solo. Os pés e as mãos não estavam amarrados entre si. Samael havia amarrado cada membro a um braço ou perna da cadeira. Alice tentou alcançar os nós que prendiam seus braços com a boca, mas eles estavam na parte de baixo da cadeira, inacessíveis. Do outro lado do vidro-espelho, uma mãe passava orgulhosa pela calçada com seu carrinho de bebê. Alice pode ver a mãozinha da criança balançando alegremente um chocalho.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:43</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Os nós das cordas não chegavam ao alcance de sua boca de maneira nenhuma. As mãos já estavam roxas devido ao esforço. Desesperada, a garota começou a balançar e espernear freneticamente, na esperança de que a cadeira quebrasse! Uma luta em vão. Sua voz já estava desaparecendo devido aos gritos histéricos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong> 11:46</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong> </strong>Exausta e dolorida, Alice não conseguiu mais evitar que o rio de lágrimas voltasse a correr por sua face. Sua vida estava chegando ao fim e não adiantava mais lutar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ela sempre havia sido uma garota depressiva, sempre se sentira fragilizada com as artimanhas que o amor aprontava ao seu delicado coração de adolescente. No entanto, acima de tudo, ela sempre cultivara a amizade de todos. Era incontáveis seus amigos. Os amigos que a mantinham viva, longe da depressão e pelos quais ela fazia tudo o que fosse possível! &#8220;Alice não tem inimigos&#8221;. &#8220;Todos adoram a Alice&#8221;&#8230; E agora? Não importa a quantidade de amigos, as pessoas sempre morrem sozinhas.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> </span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong> 11:47</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8220;Vou morrer. Minha hora chegou.&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:48</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8220;Vou morrer. Minha hora chegou.&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:49</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8220;Vou morrer. Minha hora cheg&#8230; RAQUEL!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> O que é que a Quelzinha estava fazendo atrás do vidro-espelho? E justamente olhando para dentro? Não, peraí! Quelzinha estava ajeitando o cabelo no lado espelhado! Ajeitando o cabelo como se esperasse alguém para um encontro! E então, Alice compreendeu tudo!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> A jovem prisioneira lembrou-se que Quelzinha, sua melhor amiga e confidente, fazia parte da mesma lista de e-mails e também vivia pegando no pé de Samael Darcangelo!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Claro! Ele havia marcado secretamente um encontro com a Quelzinha ao meio-dia! Em frente a loja onde&#8230; onde&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:50</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> O desespero e a vontade de salvar a amiga injetaram um novo ânimo em Alice. Novamente, ela tentou forçar o braço da cadeira, primeiro com a mão direita. Nada. Depois, com a mão esquerda, aquela mais próxima de onde Samael havia deixado a faca.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Foi então que ela notou que os nós não viravam para a parte de cima, mas havia um certo movimento em todo o braço da cadeira, como se este não estivesse tão fortemente fixado na base da cadeira quanto o outro. Ela contorceu sua cabeça e conseguiu olhar para a base onde o braço estava fixado. Realmente, o parafuso que fixava o conjunto parecia estar mais frouxo que o da direita. Se ao invés de tentar virar os nós das cordas para o lado de cima, ela tentasse movimentar o braço todo para frente e para trás&#8230; Havia uma chance!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:51</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> O parafuso afrouxava cada vez mais. A cada movimento de Alice, mais sua mão se aproximava da faca. Enquanto isso, Quelzinha andava de um lado para o outro na calçada, logo ali, tão perto e ao mesmo tempo tão distante, sem ao menos imaginar o horror que estava acontecendo ali, atrás do espelho. Alice implorou: &#8220;Ah, Quel! Saia daí!&#8221;.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:53</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> A garota se debulhou em lágrimas, pois seus esforços deram certo. A faca estava finalmente em sua mão esquerda! Com muita determinação, Alice virou a lâmina em direção ao pulso e pôs-se a movimentar o braço novamente para frente e para trás. A cada movimento, a lâmina cortava, ora um pedacinho da corda, ora um pedacinho da carne da jovem. O sangue começava a molhar o braço da cadeira, tornando ainda mais fácil o deslizar da lâmina.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:56</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Os punhos roxos, o sangue jorrando da mão esquerda, o suor escorrendo por todo o corpo, mas ainda assim, Alice tinha uma expressão de triunfo no rosto. Seu braço esquerdo estava finalmente livre das cordas. Ela cerrou a mão em torno da faca e começou a cortar o restante das cordas. “Depressa! Depressa! Faltam menos de cinco minutos agora&#8230;”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:58</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> O outro braço estava solto, restavam os pés! Com a mão direita, seria mais rápido! Do outro lado da vitrine, Samael apareceu para o encontro com Quelzinha. O desgraçado chegou com beijinhos e FLORES!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ele trazia flores para a garota! Com um gesto teatral, ele apontou para o outro lado da rua, na direção de uma barraca que vendia maçãs do amor na praça. Então era isso? O miserável havia convidado a inocente Quelzinha para ver Alice explodir?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8220;Ah, Não! Você vai ter uma bela surpresa, seu cretino!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>11:59</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Com  a fúria no coração, Alice cortou o último nó que a mantinha presa!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> “ESTOU LIVRE!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> “E agora? A porta da frente trancada! Desarmar a bomba? Como??? nem pensar! Menos de dois minutos agora&#8230; Já sei! Fugir!”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Reunindo o resto de suas forças, ela correu em direção ao fundo da loja, em direção a sua liberdade, em direção a sua salvação!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Ao abrir a porta dos fundos, Alice puxou o fio de náilon que Samael havia prendido à maçaneta <em>e ao gatilho de uma Winchester 22&#8230;</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> BANG!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>12:00</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; O que foi isso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Isso o quê, minha querida?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Não sei, Samael&#8230; Você não ouviu? Parecia um tiro, vindo lá de trás daquela loja com o espelho&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> &#8211; Não escutei nada, mas falando naquele espelho, é da loja do meu avô, sabia? Quer retocar sua maquiagem na frente dele antes de irmos ao shopping? Mais tarde eu pego a chave da loja e podemos vir visitá-la. Aposto que você vai se surpreender com o que tem ali dentro.<br />
</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> <strong>12:01</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Em frente ao espelho, Quelzinha, uma linda carioca na mais tenra idade, ajeitava seu cabelo sob o olhar carinhoso e ávido de desejo de um amigo que demonstrava estar afim de algo mais. Ela agradecia aos céus por terem colocado tal anjo de ternura em sua vida e considerava seriamente a possibilidade de começar um namoro sério.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> E do outro lado do espelho&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> No chão da loja, uma mancha escarlate ia aumentando de tamanho. O líquido causador da mancha saia do peito de outra bela jovem carioca. Ela jazia deitada e seus lindos olhos negros já estavam turvos demais para verem qualquer coisa. Havia apenas o frio que aumentava e um último som que a acompanharia na sua passagem para onde quer que ela estivesse indo: “TRIMMMM TRIMMMM TRIMMMM&#8230;”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"> Era o som do despertador da falsa bomba que começara a tocar precisamente às 12:01.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong>FIM</strong></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/24/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/24/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=24&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A Garota Sem Nome</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 22:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Lista dos Personagens: Samael &#8211; o leonino. Strix &#8211; a irmã emotiva. May &#8211; a irmã fria e racionalista. Dr. Tiago Hastings &#8211; o velho psiquiatra. Garota Sem Nome &#8211; todo homem sabe quem ela é, muito embora ela nunca possa ser exatamente descrita. Para Poe, ela se chamava Lenore. Para o Flávio Dickson, ela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=18&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><strong><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Lista dos Personagens:</span></strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael &#8211; o leonino.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix &#8211; a irmã emotiva.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May &#8211; a irmã fria e racionalista.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Dr. Tiago Hastings &#8211; o velho psiquiatra.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Garota Sem Nome &#8211; todo homem sabe quem ela é, muito embora ela nunca possa ser exatamente descrita. Para Poe, ela se chamava Lenore. Para o Flávio Dickson, ela tem olhos cinzentos. Por consenso geral, ela está no céu cercada de diamantes. Enfim, o que mais importa na Garota Sem Nome é que ela existe.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong>Capítulo Um – O Insano</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O céu estava nublado e pesadas nuvens deixavam a paisagem com um ar plúmbeo que servia perfeitamente para o autor mostrar que andou lendo Baudelaire. As condições do tempo refletiam as aflições que estavam atormentando a mulher que olhava pela janela. Ela não tinha mais do que quarenta anos, embora poucos pensassem que ela tinha menos que isso, muito embora ninguém fosse louco de manifestar esse pensamento em voz alta. Seu corpo ainda era esbelto, cabelos e olhos castanhos, cerca de 1.70m de altura e o vestido rosa que ela usava valorizava imensamente suas curvas naturais. Enquanto ela estava ali, fitando a casa alaranjada a poucas dezenas de metros de distância, um pensamento mal formado veio à sua mente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Será que estamos agindo corretamente?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Não! Ela não podia pensar assim! Ela era Strix Darcangelo e não se deixaria levar pela dúvida. Decidida, Strix dirigiu o seu olhar para dentro da mansão. Procurou focalizar sua mente nos detalhes da ampla sala de estar. Reparou nos livros empoeirados na estante, reparou nas cortinas puídas e nas manchas amarelas que estavam aparecendo no teto. Olhou também para suas mãos e se perguntou mentalmente: “Há quanto tempo eu não vou a um salão de beleza decente?”. Imbuída de uma nova determinação, Strix afastou as nuvens cinzentas da dúvida que tentavam encobrir sua mente.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Sim! Aquilo era necessário! Necessário antes que a decadência se tornasse um destino inevitável. May estava certa!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Aliás, lá estava May! Sentada na poltrona, em frente ao Dr. Tiago Hastings, falando e assumindo o controle da situação. Ao se aproximar dela, Strix recordou como sua irmã era inteligente. Algumas pessoas julgavam que May era apenas uma balzaquiana fria, mas esse não era o pensamento de sua irmã. Para Strix, May era a garantia do pensamento lógico, a garantia de que havia uma saída para as cortinas puídas e para a poeira nos móveis.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">É melhor eu prestar atenção naquilo que minha irmã está dizendo. Preciso colaborar!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May Darcangelo era dois anos mais jovem que Strix, porém seu olhar era muito mais penetrante. O verde de seus olhos parecia aumentar enquanto ela falava. A única demonstração de que a bela mulher estava nervosa era o constante ajeitar de uma mecha de cabelos castanhos, que volta e meia insistia em cair sobre seus olhos amendoados.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ela falava com um velho amigo da família Darcangelo, o sexagenário Dr. Tiago Hastings, um renomado psiquiatra da cidade grande.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Mais uma vez, devo agradecer por sua visita, Dr. Hastings. Gostaria que os fatos fossem diferentes, mas infelizmente a realidade é uma só. Meu pobre irmão não anda bem. Ele está ficando louco!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O velho psiquiatra acomodou-se na poltrona e ajeitou seus óculos. Olhou por sobre as lentes para May e só então respondeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Minha querida! A Psiquiatria é um ramo da Medicina muito complexo. Para um leigo, às vezes é fácil confundir sintomas que são apenas stress e cansaço com algum tipo de insanidade. Diga-me, o que a leva a crer que o seu irmão esteja enlouquecendo?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix intrometeu-se na conversa, falando apressadamente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Tudo começou alguns meses atrás, doutor! Sempre tivemos um padrão de vida elevado e vivíamos bem e felizes nesta casa. Como o senhor sabe, Samael cuida dos negócios que eram de nosso pai e nunca deixou faltar nada por aqui. No entanto, de uma hora para outra, ele começou a dispensar os criados! Veja os móveis como estão! E não parou por ai! Ele começou a vender os carros! Imagine que estamos reduzidos a uma simples BMW preta. Nós tentamos avisá-lo que ele estava enlouquecendo e&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May fulminou a irmã com um severo olhar e a interrompeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você está muito exaltada, Strix. Acalme-se e deixe que eu termino a explicação.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Voltando-se novamente para o Dr. Hastings, May continuou a narrar os fatos:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- O senhor é amigo de Samael há anos. Sabe como nosso irmão sempre foi estranho. Aquelas manias de cheirar sempre as últimas páginas de livros, jornais e revistas. Aquele hábito de agitar garrafas de uísque no escuro, jurando que um dia alguma delas vai brilhar! Aquela fobia que ele sente de livros muito grossos&#8230; Enfim, o senhor sabe que ele sempre foi cheio dessas esquisitices!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings comentou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Sim, eu já conhecia essas manias, mas&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Sim! Eu sei o que o senhor vai dizer, doutor. O problema é que de uns tempos para cá, mais precisamente desde que completou seu quadragésimo aniversário, Samael tem piorado. Esse pão-durismo repentino e absurdo do qual a May estava falando! Lembre-se de que ele é o dono da maior empresa exportadora de café aqui de Barbacena! Mesmo assim, ele dispensou nossos criados, vendeu os carros e só fala em economia, como se tivesse descoberto agora, na idade do lobo, o significado dessa palavra!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May retomou o fôlego e continuou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Há três semanas começou o que eu e minha irmã consideramos o mais grave de tudo. Ele está tendo alucinações!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings moveu-se mais para a beira da poltrona, pois finalmente alguma coisa interessante parecia estar ocorrendo. Ele perguntou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Alucinações? Como assim? Descreva-as, por gentileza.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix escondeu o rosto entre as mãos, visivelmente abalada. May atendeu o pedido do doutor:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Em uma de suas sandices econômicas, meu irmão colocou a casa laranja ao lado da nossa mansão para alugar. Um mês atrás, uma jovem estudante se mudou para lá. Sabe como é, uma garota da capital que veio tentar o Vestibular por aqui. Ela não tem mais do que dezessete anos. O senhor entende? Na primeira semana, ela promoveu algumas festinhas com amigas, coisas de jovens, nada que nos incomodasse. Pude notar que ela passa a maior parte do dia estudando&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;Só que meu irmão começou a dizer que a garota, que ele apelidou de Garota Sem Nome, estava flertando com ele! Ocorre que a janela do quarto dele dá vista exatamente para a casa laranja! Ele disse que, ao ler na sacada de seu quarto, via essa garota lançando olhares para ele. O tonto chegou a comprar flores! E foi bater na porta da casa dela, mas ela sequer o atendeu, claro!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Trata-se de uma moça muito honesta e bem-educada! – afirmou Strix &#8211; e é uma grande bobagem meu irmão ficar chamando-a de Garota Sem Nome. Bastaria olhar no contrato de aluguel da casa para saber que ela se chama&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Querida, Strix! &#8211; esbravejou May &#8211; se você ficar me interrompendo para contar detalhes inúteis, eu jamais conseguirei colocar o doutor a par dos fatos essenciais!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix calou-se, baixando os olhos. May continuou sua narrativa:</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Então, tudo ficou pior. Samael passou a afirmar que a &#8220;Garota Sem Nome&#8221; dançava envolta em véus pelos campos de nossa propriedade! Sempre à noite! Ele passou a chegar em casa do trabalho e praticamente trancar-se no quarto, imediatamente. Imagine que um dia ele chegou em casa com um potente binóculos! E equipado com visão noturna, ainda por cima!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;E o pior de tudo! Agora, nesta última semana, ele está dizendo que a tal Garota Sem Nome está aparecendo no seu quarto para fazer a&#8230; cof, cof&#8230; Dança do Ventre! Doutor&#8230; ele realmente está louco!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O psiquiatra estava pensativo. Os fatos narrados eram graves. Ele perguntou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Onde está Samael, agora? Tenho que examiná-lo. Realmente, alucinações desse tipo podem requerer tratamento urgente.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May respondeu, levantando-se:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- É exatamente isso que queremos, doutor! Curar nosso irmão! E também salvar o patrimônio de nossa família. Se ele não estiver em condições de continuar dirigindo as empresas&#8230; bem, eu e minha irmã teremos que assumir tudo enquanto ele se recupera!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Certamente, minha cara! Certamente! Mas deixem-me ver Samael e fazer uma avaliação de seu quadro clínico.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix indicou, de modo triste:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Vamos subir ao segundo andar. Nesta hora, ele já está trancado no quarto, como de costume&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Enquanto subiam, May teve um acesso horrível de tosse. O clima estava tenso.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:center;">&#8212;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong>Capítulo Dois – A Serpente Que Dança</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Alheio ao teor da conversa que estava sendo mantida no andar de baixo, Samael espreguiçava-se diante do espelho. Ele havia acabado de sair do banho e vestia apenas a calça de seu pijama e um par de chinelos de pano. Depois de examinar bem a sua aparência, que ele ainda julgava de um modo muito otimista ser a de um legítimo garanhão, ele vagou pelo quarto e deu duas voltas na fechadura da porta. Estava quase na hora do crepúsculo e em breve ele sabia que iria haver ação.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ele ajeitou seus cabelos castanhos em frente ao espelho, notando mais uma vez através de seus olhos negros, com prazer, que a beleza de antigamente ainda não havia abandonado seu corpo leonino. O que a falta de um par de óculos não faz&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Seus pensamentos eram indagatórios:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Por que ele nunca havia se casado?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Talvez porque eu nunca encontrei a mulher certa.” &#8211; pensou Samael, respondendo a sua própria questão e rindo muito da resposta clichê.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Alias, minhas irmãs também parecem não ter tido sucesso em suas buscas.” – acrescentou Samael, deliciando-se com tal pensamento maldoso.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ele olhava para a imensa cama de casal na qual dormia sozinho. Ficou imerso em seus pensamentos por mais algum tempo. Então sentiu um suave sopro em sua nuca. Virou-se rapidamente! Lá estava ela, entre ele e a porta para a sacada, sorrindo como sempre.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Sem dúvida, era uma bela garota. Seu corpo esguio exalava um aroma delicioso, instigante. Era como se fosse um convite para Samael: “Venha! Venha!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ela não dizia nada. Não, a Garota Sem Nome nunca havia pronunciado sequer uma palavra. Naquela noite, Samael notou que além de estar envolta em véus laranjas, a garota trazia consigo uma écharpe azul. Os pés bem torneados da bela estavam descalços. Samael olhou fascinado para a correntinha que a garota usava no tornozelo esquerdo. Reparou nisso enquanto ela erguia a perna até a altura do peito dele e o empurrava para a cama.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ele ficou olhando extasiado, enquanto a Garota Sem Nome dançava sensualmente para ele. Normalmente, a garota evitava qualquer tentativa de aproximação maior por parte de Samael. Aliás, em certa ocasião, na qual ele havia decidido se aproximar a qualquer custo, uma lata de spray de pimenta fora imediatamente apontada na direção de seus olhos e isso o convencera que era conveniente manter a distância regulamentar imposta pela Garota Sem Nome. Ele podia olhar, ele devia olhar, mas ele não podia tocar. E, caramba, como isso o excitava.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Normalmente, a dança acabava com a garota lhe vendando os olhos com um pano de seda negro e desaparecendo logo a seguir. Porém, dava para perceber que dessa vez seria diferente. A Garota Sem Nome se aproximou dele, colocou-lhe a venda nos olhos e pela primeira vez amarrou uma de suas mãos na cabeceira da cama com a écharpe. Aquilo era uma novidade! E mais novidades estavam reservadas para aquela noite. Antes que desse por si, Samael percebeu que toda a roupa que estava vestindo já havia sido subtraída de seu corpo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;E agora? O que vai ser?&#8221; &#8211; pensou Samael.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O silêncio foi sua resposta. Após ter tirado as roupas do leonino, a Garota Sem Nome havia se afastado e Samael não conseguia escutar mais nada. Instantes depois, ele ouviu um clique, algo suave, algo como o girar de uma chave. Ouviu vozes, vozes cada vez mais próximas&#8230; sentiu que a porta do seu quarto estava sendo aberta e&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- AAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Foi Strix quem gritou, horrorizada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings e May adiantaram-se para dentro do quarto. Lá estava Samael, deitado em sua cama, com uma das mãos envolta em uma echarpe azul que o prendia a um dos lados da cama e vestido com a roupa com a qual viera ao mundo. May berrou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Mas o que significa isso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Tirando a venda de seus olhos e se desvencilhando da écharpe azul, Samael respondeu, confuso:</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Onde ela está? Onde ela foi?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings encontrou a calça de pijama de Samael caída aos pés da cama e a arremessou para ele, dizendo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Calma! Calma, amigo! Não tem ninguém aqui além de nós. Você teve apenas uma alucinação. Coloque logo essa calça e recomponha-se!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael vestiu o pijama rapidamente e começou a caminhar de um lado para outro, agitado.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Não! Não! Ela estava aqui agora mesmo! Ela! A garota da casa laranja! A Garota Sem Nome!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Samael! Me escute! Não tem ninguém aqui! Você teve apenas uma alucinação! E eu já lhe disse mil vezes que aquela garota tem um nome! Ela se chama&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Como? &#8211; interrompeu, Samael, sem prestar a mínima atenção no que May lhe dizia &#8211; como vocês entraram aqui? A porta estava trancada!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings manteve-se firme e impassível. Longos anos como psiquiatra mostravam a ele qual a atitude correta a adotar:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- A porta estava fechada, mas não trancada, Samael.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Então ela passou por vocês! Ela&#8230; a garota&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Ninguém passou por nós no corredor.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael titubeava. Correu para a porta que dava acesso à sacada, mas descobriu que estava fechada por dentro. Correu de volta e olhou embaixo da cama, mas não havia ninguém escondido lá. Por fim, sentou-se com a cabeça entre as mãos, dizendo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Mas eu vi&#8230; ela estava aqui&#8230; eu&#8230; eu&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings sentou-se ao lado do amigo e o consolou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Tenha calma! Ninguém está livre desse tipo de problema, meu amigo! Você precisa de uma clínica e de repouso adequado! Preferencialmente, longe daqui! Venha! Coloque-se sob meus cuidados e eu garanto que você vai ficar bom!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Apenas May e o doutor acompanharam a busca que Samael realizou no recinto. Logo após ter gritado, Strix saiu correndo do quarto. Somente agora, ela retornava, chorando muito. May a abraçou com força, murmurando:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Coragem&#8230; coragem&#8230; falta pouco agora&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael levantou-se, dizendo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você está certo, doutor! Eu&#8230; eu não sei o que está acontecendo comigo, mas isso não pode continuar assim. Estou em suas mãos!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O Dr. Hastings segurou o amigo pelo ombro e disse:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- O melhor é retirá-lo daqui o quanto antes. Eu o espero lá embaixo, pois vamos partir para a clínica de repouso agora mesmo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May soltou Strix e agiu de modo prático, como sempre:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Coragem, mano! Você está coberto de suor! Tome outro banho para se recompor enquanto eu preparo suas roupas.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Ao ouvir isso, Samael lembrou-se de algo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- O closet! Eu não procurei no closet! Talvez ela esteja&#8230;</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May  conteve o movimento de Samael, berrando e ameaçando esbofetear o irmão:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Não tem nenhuma garota aqui! Nunca teve! Você está tendo alucinações! Pare com isso!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael voltou a baixar a cabeça, concordando com a irmã. Só lhe restava aceitar os fatos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:center;">&#8212;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;"><strong>Capítulo Três – Cria Cuervos&#8230;</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael já estava dentro do carro do Dr. Hastings. Strix derramava ainda algumas lágrimas. O psiquiatra, antes de entrar no veículo, voltou por um momento até a porta de entrada da Mansão Darcangelo e falou com May:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Não se preocupe! Vamos afastá-lo de tudo o que pode estar causando seu problema. Entenda apenas que o tratamento pode ser longo e complexo. Acho que vou transferi-lo imediatamente para fora do Brasil, para a clínica que tenho em Londres. Lá, ele terá mais condições de se recuperar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May esboçou um sorriso:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Não poupe despesas para curá-lo, doutor! Acho que um tempo fora do Brasil será mesmo o melhor para ele. Mas&#8230; e quanto aos negócios?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Samael está visivelmente perturbado demais para continuar gerenciando qualquer tipo de empreendimento. Vou conversar com ele para que assine amanhã mesmo os documentos necessários para abdicar de sua parte na empresa, passando o controle total para vocês duas. Por favor, entrem em contato imediato com seus advogados para preparar toda a papelada necessária, pois com o meu laudo psiquiátrico, a Justiça irá considerar Samael totalmente incapaz e vocês duas serão nomeadas suas curadoras legais sem mais tardar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Os olhos de May brilharam, mais verdes do que nunca. Ela respondeu:</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Já me antecipei ao senhor, doutor. Falei com nossos advogados na semana passada e já tenho aqui comigo toda a documentação necessária. Basta que Samael assine esses papéis e que o senhor emita logo o laudo. Posso lhe garantir que eu e Strix estamos preparadas para assumir essa responsabilidade! Tudo ficará bem, Dr. Hastings! Por favor, faça com que meu irmão assine a documentação agora mesmo! Não há mais tempo a perder!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O doutor apanhou os papéis que May lhe estendeu e entrou no carro onde estava Samael. Quinze minutos depois, os papéis estavam assinados e os negócios da família estavam agora totalmente em poder das duas irmãs.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p style="text-align:center;"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8212;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Cinco minutos depois da partida do doutor e do seu novo paciente, May e Strix estavam de volta ao quarto de Samael. Elas não haviam trocado uma palavra até aquele instante. May abriu a porta do closet de Samael.</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">A Garota Sem Nome saiu lá de dentro, exclamando:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Ele quase me procurou aqui!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May olhava para a garota como alguém da alta sociedade olharia para uma dançarina de bar. Havia um certo desprezo em sua voz, quando respondeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você cronometrou tudo muito bem e agiu rapidamente assim que me ouviu tossir nas escadas. Eu não deixaria ele procurar no closet de modo algum. Enfim, deu tudo certo. Tome! Pegue aqui o seu pagamento e lembre-se de desaparecer desta cidade. Que eu nunca mais veja você aqui em Barbacena!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">A Garota Sem Nome recebeu um cheque no valor de R$ 10.000,00. Era exatamente essa a quantia combinada como a última parte do pagamento por aquele serviço que ela vinha fazendo. A garota guardou o cheque e saiu da casa rapidamente, corada de vergonha.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">A sempre sonhadora Strix, reclamou com sua irmã:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você a tratou muito mal! A pobre criança precisa desse dinheiro para estudar e&#8230;</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Strix! Minha boa e ingênua irmã! Agora nós estamos no comando da situação, não percebe? Chega do racionamento daquele maluco! Ele que cure suas loucuras longe daqui! Agora nós temos coisas mais importantes para decidir: quais carros vamos comprar? Quantos criados vamos recontratar? Decoração nova! Salão de Beleza! E festas! Muitas festas! Como sinto falta das festas que havia nessa casa!</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Strix animou-se. Enfim, tudo havia dado certo.</span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Seu plano foi mesmo brilhante, Mayzinha! Contratar aquela pequena estudante, fazendo-a alugar a casa em frente ao quarto do Samael! E as danças para atrair a atenção de nosso irmão galinha? A garota realmente sabia dançar muito bem a tal Dança do Ventre!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May, orgulhosa e sem falsas modéstias, respondeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você também foi muito útil, escondendo sempre a escada que a garota usava para subir até a sacada do quarto de Samael. Aliás, quando você berrou daquele jeito histérico eu até fiquei com medo que você tivesse esquecido de fazer sua parte hoje!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Ora! Você nunca confia em mim! Confesso que fiquei chocada ao ver nosso irmão sem roupas, mas consegui me controlar e saí correndo do quarto para ir rapidamente remover e esconder a escada que a garota usou para subir até a sacada!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">May acariciou o cabelo da sua irmã e disse, entusiasmada:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Muito bem, Flipper! Mas o mais importante mesmo, assim que percebemos que Samael estava ficando louco, era fazer com que ele se convencesse disso rapidamente! E o nosso pequeno estratagema funcionou perfeitamente. Agora, nosso irmão vai ter o tratamento adequado para suas loucuras e nós podemos voltar a ter o padrão de vida que merecemos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">De um modo malicioso, May acrescentou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Ele sempre se gabou de ser o “leonino esperto”. Papai sequer nos colocou na presidência junto com ele, nos relegando ao segundo plano. Bem&#8230; agora todo o patrimônio da família está em nossas mãos e Samael depende de nossa boa vontade para continuar seu tratamento! Quem é mais esperto agora? Ele ou nós?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:center;">&#8212;</p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">No dia seguinte, a Garota Sem Nome já havia abandonado a casa laranja. Ela caminhava a pé até os limites da cidade. A paisagem de Barbacena, cheia de campos e bosques, era magnífica. Um verdadeiro cenário de sonhos. Ela reparou em um enorme plátano perto de uma curva da estrada. Uma sombra seria adequada agora, pois a sua mochila já estava ficando pesada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">O céu estava lindo, sem nuvens, com pássaros voando livres pelo ar. Naquele momento, amparada pela sombra da árvore, a Garota Sem Nome queria tudo, menos pensar no que havia feito. Agora ela tinha o dinheiro que antes lhe faltava para iniciar seus estudos. Tudo pelo sonho de uma vida melhor do que aquele inferno que ela conhecera até então. Ela deveria estar feliz, no entanto, a sensação de culpa parecia crescer a cada instante. A culpa crescia como uma sombra&#8230; Aliás, era exatamente uma sombra que crescia na relva que a garota estava fitando. A sombra de alguém se aproximando dela naquele exato instante&#8230; A sombra de&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Samael!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">A garota gritou aquele nome com um misto de surpresa e medo na voz. Ali estava ele, vestido em um elegante terno preto, olhando para ela com olhos negros e brilhantes. O leonino ser falou em tom jovial:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Então, finalmente tenho o prazer de escutar a sua voz.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">A garota estava confusa:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você&#8230; Você fugiu do sanatório? Como? Como você me localizou? Você&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Um medo repentino se apoderou da Garota Sem Nome. Ela esboçou um gesto como se fosse começar a correr, mas Samael rapidamente colocou uma das mãos no bolso do terno e disse:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Nem tente!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Apavorada, a garota ficou imóvel, olhando para ele. Dessa vez, ela o fitava nos olhos, buscando alguma informação sobre o destino que a aguardava, mas logo a vergonha do que havia feito tomou conta do seu ser e ela baixou novamente a cabeça. Samael ordenou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Venha! Volte a sentar aqui na sombra dessa árvore, pois é uma hora muito quente do dia para ficar ao sol. Além do mais, tenho uma historinha para te contar&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Meus negócios na companhia exportadora de café não iam bem. A crise no setor é enorme e eu vi, pela primeira vez na vida, que havia possibilidade da nossa fortuna acabar. Tive que tomar medidas drásticas. Vender patrimônio e fazer um severo racionamento na mansão, buscando economizar o máximo possível para salvar a empresa”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Acima de tudo, havia minha responsabilidade para com minhas irmãs. Eu não podia falhar ante os olhos delas. Como contar que estávamos correndo perigo de ficarmos sem nada? Então, para minha grande decepção, elas começaram com aquelas insinuações sobre minha sanidade mental. Fiquei magoado e resolvi só contar sobre o que estava ocorrendo assim que tudo estivesse resolvido”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Tão logo você apareceu, eu vi que era obra delas. Um golpe sujo para alegar que eu estava insano! Ah! Malditas! Eu me matando para salvar a empresa e elas tramando algo contra mim! E algo ridículo e sem cabimento, ainda por cima! Desde quando eu me deixaria enrolar por um plano desses? Só mesmo se eu estivesse louco de verdade! Elas devem me achar um tipo muito estúpido para cair em um conto do vigário como esse!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Com um olhar altivo, indicando a presença de um ego enorme, Samael continuou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Decidi que, por tamanha ousadia, elas mereciam uma lição. Uma grande e inesquecível lição!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;Eu fingi entrar no jogo delas. Comprei um binóculos e até levei flores para você, fingindo ter virado um admirador sem juízo. Enquanto isso, preparei meu esquema. Eu sabia que logo elas iriam procurar meu velho amigo, o Dr. Hastings, para que ele corroborasse a história da minha loucura. Por isso mesmo, já deixei-o preparado&#8230;”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Pela primeira vez, a Garota Sem Nome interrompeu a narrativa de Samael:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- O doutor? Ele está envolvido nisso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael sorriu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Não é só você que tem um preço, garota. Tiago exigiu uma boa quantia para “acreditar” na minha insanidade. Ele também providenciou os papéis da minha suposta transferência para a clínica no exterior. Os advogados da empresa também vieram me avisar que May havia mandado preparar papéis cujo teor literalmente transferia todos os bens da família para ela e Strix. Pedi que  atendessem o pedido de minha irmã, com urgência&#8230; E pedi também que me ajudassem a realizar algumas transferências ilegais de fundos. Advogados também tem o seu preço&#8230; Bom, disso todo mundo sabe.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Eu já estava esperando por alguma aparição especial sua quando o doutor viesse visitar minhas irmãs na hora marcada por May. A senhorita dança admiravelmente bem, se me permite o elogio&#8230; E foi um grande prazer me deixar enlouquecer por você.”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael estava sorrindo. A Garota Sem Nome estava corada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você já pode imaginar o resto, não? Ao invés de tentar capitalizar a empresa, desviei todas as suas verbas restantes para uma conta que tenho na Suíça. Deste modo, daqui a alguns dias, quando minhas doces irmãs assumirem os negócios, encontrarão apenas uma companhia falida e cheia de dívidas. Quando isso ocorrer, eu e mais alguns poucos milhões de dólares vamos estar muito bem instalados em algum paraíso fiscal.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael ria alto, se divertindo ao imaginar a cara das irmãs. A Garota Sem Nome ergueu-se, sentindo-se de certo modo aliviada com aquela nova situação.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você&#8230;Você é maquiavélico! O seu plano foi perfeito, mas&#8230; porque você veio ao meu encontro? Você&#8230; Você&#8230;Vai&#8230; Me matar?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael, ainda com a mão no bolso, aproximou-se da garota e falou em um tom suave:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Você nunca olhou nos meus olhos de verdade. Se tivesse feito isso em algum momento, teria visto o quanto você realmente me envolveu com a sua dança. Porém, você ainda é jovem demais para perceber esses detalhes. É como se você fosse um sonho bom para mim. Mas eu percebo que jamais daria certo tentar transformar esse sonho numa realidade&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8220;Todavia, isso não me impede de te dar um presente de despedida&#8230;&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Com um gesto teatral, Samael retirou a mão do bolso, estendeu-a e entregou para A Garota Sem Nome um cheque. O valor que estava escrito nele era dez vezes maior do que a quantia que ela cobrara das irmãs Darcangelo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- Rasgue o cheque que você recebeu da minha irmã! Muito embora nem mesmo ela saiba disso, esse cheque é tão frio quanto um cubo de gelo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Samael começou a se afastar do local. Nada mais foi dito. Um tardio rolo de capim passou pelo cenário enquanto a Garota Sem Nome derramava lágrimas, observando aquele leonino exótico que desaparecia em uma curva da estrada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;text-align:center;"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">&#8212;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Alguns dias mais tarde, na sala da diretoria da Cia. Darcangelo Exportadora de Café Ltda.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">As novas responsáveis pela companhia, srta. Strix e srta. May, estavam acabando de tomar conhecimento da contabilidade da empresa.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">Neste exato momento, Strix já se encontra desmaiada no chão, onde caiu dura tão logo escutou as palavras &#8220;falência imediata&#8221; e &#8220;miséria absoluta&#8221;. Enquanto tentam reanimá-la, May grita histericamente, com a razão abandonando sua mente na mesma velocidade do som de seus gritos:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">- NÃÃO!!!! NÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!!! NÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!!!!!!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="justify">
<p class="western" style="margin-bottom:0;" align="center"><strong><span style="font-family:Bookman Old Style,serif;">FIM </span></strong></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=18&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Mistério do Carro Roubado</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 14:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Acontece com todo mundo. Cedo ou tarde, você pode ser a próxima vítima&#8230; Certo dia, fiquei acordado até às 04:30 da madrugada, determinado a detonar o jogo para PC And Then There Were None. Quase consegui, mas tive que parar no capítulo oito por ser absolutamente impossível jogar de olhos fechados. Além do mais, eu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=16&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Acontece com todo mundo. Cedo ou tarde, você pode ser a próxima vítima&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Certo dia, fiquei acordado até às 04:30 da madrugada, determinado a detonar o jogo para PC <em>And Then There Were None</em>. Quase consegui, mas tive que parar no capítulo oito por ser absolutamente impossível jogar de olhos fechados. Além do mais, eu tinha que trabalhar na manhã seguinte, de modo que minha aventura noturna não foi mesmo uma boa idéia.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Ao meio-dia, exausto, cheguei em casa, pronto para almoçar, tomar banho e ir dormir. Revisando as tarefas, notei que o segundo ato, tomar banho, esbarrava em um pequeno problema doméstico: não tinha mais desodorante em casa. Enquanto meu almoço ficava pronto, peguei o carro e fui até a Farmácia do Walmir, meu amigo, para comprar o produto. Voltei para casa, almocei, tomei banho e fui dormir.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Tive sonhos agitados, nos quais incontáveis rolos de capim passavam rolando por vastidões sem fim, ao som de <em>High Plains Drifter</em>.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Acordei às 17:00, com a tia e a mãe solicitando meus serviços de motorista para irmos até o mercado fazer compras. Estava chovendo, mas mesmo que não estivesse seria impossível nos dirigirmos até o mercado por um pequeno detalhe: <em>o carro não estava mais na frente de casa!</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Com a calma de um mordomo inglês, comuniquei para minha tia que o veículo havia sido furtado. Minha mãe, numa reação perfeitamente condizente com seu status, desatou a rir. Eu corri embaixo da chuva até a garagem onde deixamos o carro guardado. Conforme o que eu já esperava, ele também não estava lá!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Voltei para casa ensopado. Minha mãe ainda estava rindo e uma outra tia, italianíssima, que havia chegado ao local, repetia sem parar:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">&#8220;maaáááÁÁÁÁ!!!!!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Felizmente, nessas horas é preciso alguém com tino para agir. Minha mãe pegou o telefone e fez uma ligação!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">&#8220;Óbvio! Temos que ligar para a polícia!&#8221; &#8211; pensei eu &#8211; &#8220;Minha mãe sabe tudo!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Infelizmente, supervalorizei a perspicácia da Pissit (apelido da minha mãe). Ao invés da polícia, ela telefonou para uma amiga para contar a fofoca do momento: &#8220;Nosso carro foi roubado!&#8221;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Até aquele momento, eu não estava nervoso, mas aquilo foi a gota da água. Fiquei indignado com a Pissit! Assim que ela desligou, telefonei para a seguradora e fui orientado para ir até a delegacia registrar o Boletim de Ocorrência. Graças a ajuda de uma tia, consegui uma carona e fomos até a Delegacia da Polícia Civil, onde expliquei que o carro tinha alarme e trava, mas mesmo assim havia desaparecido da frente da nossa casa durante o dia.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Uma vez de posse do número do Boletim de Ocorrência, minha tia me deu uma carona de volta para casa, onde eu ainda tinha que ligar para a seguradora. Uma leve depressão se abateu sobre mim, pois pela primeira vez eu estava contando o prejuízo: franquia do seguro, mais o IPVA, mais o seguro novo&#8230; Além do transtorno de ter que arranjar um outro carro tão bom quanto o que eu tinha e que ficasse dentro do valor da carta de crédito, etc..</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Aquilo não podia ficar assim! Estava na hora de usar as pequenas células cinzentas, bancar o Hercule Poirot e, sem esperar pela polícia, recuperar eu mesmo o veiculo furtado! Será que era possível realizar um feito dessa magnitude? Poderia o grande Samael Fauntleroy Darcangelo desvendar esse mistério dantesco?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Naquele exato momento, passávamos em frente a Farmácia do Walmir e eu vi ele&#8230; bordô metálico, placa IFX&#8230; Ele! O meu carro! Estava estacionado na frente da farmácia!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Duas linhas de pensamento bem claras se formaram em minha mente. A primeira dizia que os ladrões passaram mal durante a fuga e resolveram parar na farmácia para comprar remédios. A segunda linha dizia que eu havia simplesmente esquecido o carro na frente da farmácia desde o meio-dia.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Apesar da primeira hipótese ser a mais plausível, na verdade constatou-se que eu realmente havia esquecido o carro na frente da farmácia. Ocorreu que eu fui de carro comprar o desodorante e, estando exausto, esqueci que tinha ido de automóvel e voltei para casa a pé, nas quatro patas.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Tive muito trabalho para cancelar o Boletim de Ocorrência. No entanto, antes mesmo de ir até a delegacia de novo, para não correr o risco de ter o carro guinchado na rua, tirei ele da frente da farmácia e coloquei de volta na garagem. Foram apenas 500 metros, mas posso dizer que vivi a emoção de dirigir um carro roubado!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">E assim, mais um mistério foi esclarecido graças as minhas pequenas (minúsculas, insignificantes) células cinzentas!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Vítima: Samael</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Detetive: Samael</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Culpado: Samael</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">É, pessoal, acontece com todo mundo. Cedo ou tarde, você pode ser a próxima vítima&#8230; da idade!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>FIM</strong></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=16&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Juntos para Sempre</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 03:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[um conto de Lorde Samael Darcangelo, dedicado `aquela que foi sem nunca ter sido CAPÍTULO UM – O BRINDE LARANJA O restaurante Pour Tours, ao contrário do que se poderia esperar, é um lugar sofisticado, localizado `a beira-mar, de onde podemos vislumbrar a magnífica ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Trata-se de um ambiente aconchegante, onde, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=13&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="western" align="right">
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong></strong></span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>um conto de <strong>L</strong>orde <strong>S</strong>amael <strong>D</strong>arcangelo,</em></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>dedicado `aquela que foi sem nunca ter sido</em></span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>CAPÍTULO UM – O BRINDE LARANJA</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O restaurante Pour Tours, ao contrário do que se poderia esperar, é um lugar sofisticado, localizado `a beira-mar, de onde podemos vislumbrar a magnífica ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Trata-se de um ambiente aconchegante, onde, além das melhores iguarias da culinária catarinense, os fregueses ainda podem se deliciar com música ao vivo, tudo no melhor estilo <em>HardRock Café</em>.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Nesta noite, a mesa principal do requintado restaurante, está ocupada por um casal um tanto singular. O homem de aspecto sombrio é realmente alto, cerca de 1.83m, possui cabelos e olhos negros que só colaboram para aumentar o aspecto taciturno de seu semblante. Samael Darcangelo é o seu nome, e, aos 28 anos, ele é um dos mais aclamados personagens do cenário empresarial. Sua companhia de desenvolvimento, <em>Cabalco S.A.,</em> fabrica as mais sofisticadas peças para o setor automotivo. É sabido que todo sucesso da empresa deve-se a brilhante mente por trás daqueles olhos negros.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Nesta ocasião, porém, poucos homens olhariam duas vezes para Samael. Sentada à frente do mesmo, está sua esposa, uma ruiva de rosto delicado e de grandes olhos amendoados. A garota tem apenas 19 anos e resplandece sua juventude em cada gesto. Seu jeito meigo e sensual, aliado a uma voz angelical, são capazes de prender a atenção de qualquer um que fite aqueles olhos por mais de dois segundos. Com certeza, Jane Finn é uma daquelas poucas mulheres que ainda detêm o antigo poder de destruir corações.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Ela está encarando Samael nos olhos, e só agora ele parece perceber que algo incomoda sua esposa. Por que ela não estaria feliz no jantar em que os dois comemoram o seu aniversário de casamento? Ela reclama:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- EU NÃO ACREDITO! No nosso aniversário de casamento, você convida um estranho para jantar conosco!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Ora, Jane, seja prática! Você sempre disse que queria morar na Lagoa, não disse? Este corretor de imóveis arranjou um apartamento de cobertura perfeito para nós! Já negociei tudo por telefone e neste jantar iremos selar o contrato! Ele irá conosco hoje mesmo até a cobertura e entregará as chaves do imóvel! Você deveria agradecer a minha generosidade!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane respondeu, visivelmente irritada:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Ora! Porque justamente no nosso jantar, NESTA DATA?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Querida! Sou um homem muito ocupado, não tive tempo de atender o Sr. Mitáfilo antes e só vi as fotos da cobertura. Por que não aproveitar esta oportunidade? Vamos lá, examinamos o local e já despachamos o tal “Mitáfilo”&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Sorrindo maliciosamente, ele acrescentou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Afinal de contas, você também precisa me dar alguma coisa hoje, não é?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane ficou em silêncio, mas a ira crescia em seu peito: “PORCO!” – esta palavra quase escapou de sua boca, mas felizmente, o autocontrole era uma de suas virtudes.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Nesse instante, o tal Sr. Mitáfilo entrou no restaurante. Localizou rapidamente a mesa certa e em segundos já cumprimentava efusivamente o casal Darcangelo.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo sentou-se à mesa. Era um homem alto, loiro, com olhos verdes pastosos e um aspecto um tanto quanto bovino. Algum apostador diriaa que sua idade beirava os trinta anos. Qualquer pessoa que olhasse tal figura, com seus óculos fundo de garrafa e seu bigode estilo escovinha, logo definiria a profissão do mesmo: corretor de imóveis.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane Finn, ainda inconformada com a presença do homem, nem perdeu tempo com um segundo olhar sobre o recém chegado. No entanto, Mitáfilo, que estudara detalhadamente toda a vida do casal, também os analisava:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Hummm&#8230; Esse Samael parece mesmo ser esperto&#8230; Não gosto de gente que olha muito fixo nos olhos&#8230; Vou ter que ser mais esperto que ele&#8230; E a garota? Meu Deus, que coisa linda! Nossa senhora, ela tem só dezenove anos! Também, esse cão argentino deve ter assaltado a maternidade!”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Em voz alta, Mitáfilo declarou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Sr. Samael! Faz tempo que eu tento marcar um encontro com o senhor! E que oportunidade esplêndida é esta que aqui se apresenta, pois estou tendo também o prazer de conhecer sua jovem esposa.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Ah! Tive a maior sorte! Pode-se dizer que assaltei a maternidade!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo relembrou o que havia pesquisado nos jornais de seis anos atrás:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael conheceu Jane através da internet. Ambos participavam de uma lista de fãs de Agatha Christie. Talvez fosse este o único passatempo ao qual se permitia o então atarefado universitário, porém, foi o suficiente para conhecer a garota e, mesmo apesar da diferença de idade, após dois anos do primeiro encontro, veio o casamento.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane Finn levantou-se e dirigiu-se a copa do restaurante. Samael, sem ao menos notar que sua esposa saira, disse a Mitáfilo:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Logo após o jantar, iremos verificar o imóvel. Você trouxe o contrato e as chaves?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Perfeitamente! Com certeza o senhor está fazendo um dos melhores negócios imobiliários da cidade, blá, blá, blá&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Por favor! Não comece com essa conversa fiada de vendedores! – dizendo isso, Samael apanhou do bolso interno de sua jaqueta um frasco, de onde retirou e engoliu uma pequena pílula marrom.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo sabia que Samael estava tomando o remédio para seu enfraquecido coração, cuja fragilidade congênita fora uma herança maligna do pai argentino. No entanto, o que mais chamou a atenção do astuto Mitáfilo, foi o <em>palm top</em> que ele pode vislumbrar rapidamente quando a jaqueta foi aberta. O famoso <em>palm top</em> onde Samael armazena todos os seus projetos mais importantes! O empresário não confiava em ninguém quando estava desenvolvendo um novo produto e, fora esse <em>palm top</em>, a única outra cópia do projeto da nova peça que prometia revolucionar o mercado de automóveis estava trancafiada em um cofre de banco. Sem sombra de dúvida, o segredo contido naquele minúsculo equipamento valia alguns milhões de dólares.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane Finn voltou com uma surpresa. Trazia consigo um baldinho com gelo e dentro dele uma latinha do famoso refrigerante de laranja, conhecido por todos como Sukita. A latinha já estava aberta, pronta para o consumo. Sorrindo, com seu ar angelical, a jovem colocou o balde bem na frente de Samael, dizendo em tom irônico:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Querido! Você não pensou que eu iria me esquecer, não é?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael, com um sorriso amarelo, explicou para o confuso Mitáfilo:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Minha bem humorada esposa, sempre que pode oferece uma lata dessa deliciosa bebida para o seu “tio Sama”. Tudo bem, amore, deixe estar que a noite ainda é uma criança&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo ficou pensativo, uma idéia se formou em sua mente. Pedindo licença, ele se afastou da mesa. Voltou um pouco mais tarde, com outro balde de gelo e outra latinha de Sukita, pronta para beber. Ele a colocou em frente à Jane Finn e explicou, piscando um olho:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Um presente meu para que o jovem casal possa brindar apropriadamente o seu aniversário de casamento desse modo tão inusitado.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane sorriu. “Esse tal Mitáfilo tem um bom senso de humor!” – ela pensou.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Eram 22:30 e as cortinas do palco principal subiram naquele exato instante. A banda Mundus Mulieris iria iniciar a sua apresentação. O líder e vocalista da banda era Pete Death, o irmão caçula de Samael.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Seu parentesco era somente pela parte de mãe, o pai de Pete era brasileiro mesmo. Talvez por isso, os dois nunca chegaram a manter um bom relacionamento. Para o grande empresário, o poeta cantor nunca passaria de um fracasso ambulante. O fato de Pete priorizar outras coisas na vida, que não o sucesso financeiro, era algo incompreensível.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">A esposa de Samael, no entanto, devia pensar bem diferente, pois seus olhos ficaram úmidos e a emoção em seu rosto era visível quando Pete saudou o público. Mitáfilo notou a reação de Jane e concluiu que ao menos desta vez, o boato que corria nas altas rodas da sociedade era verdadeiro: “Jane e Pete vinham mantendo um caso há meses”.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo fitou os olhos de Samael, tentando adivinhar se este sabia que sua cabeça estava sendo enfeitada, porém o mega empresário parecia indiferente. Ao terminar de ouvir a saudação de Pete, ele comentou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Veja só! Esse daí é meu meio irmão. Meio mesmo sabe? Duvido que algum dia ele se torne algo inteiro! Ponha algodão nos ouvidos, você vai precisar!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Silêncio! – Jane interrompeu – Vamos ouvir!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Pete Death começou a cantar, com uma voz grave, prematura para seus 19 anos, mas que combinava perfeitamente com os seus 1.90m e seu aspecto de viking. Ele parecia estar olhando fixamente para a mesa onde se encontrava o trio. A canção começou assim:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Estátuas e cofres e paredes pintadas, ninguém sabe o que aconteceu&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael sussurrou para seu convidado:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Com certeza ele não sabe mesmo o que acontece&#8230; Também pudera! Abandonou os estudos antes de completar o segundo grau!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane Finn fulminou o marido com um olhar. Mitáfilo mal pode conter o riso. A música continuava&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Me diiiiizzzzzz, porque que o céu é azul? Me explique a grande fúria do mundo&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael olhou para Mitáfilo e “respondeu”:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Eu não disse que ele largou os estudos? O céu é azul porque a nossa ionosfera retêm todas as outras cores do espectro solar, deixando apenas a gama azul passar! E o que ele quer saber sobre a fúria do mundo? Ora bolas! O universo se originou em uma imensa explosão! É claro que o mundo tem que ser furioso!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo teve que se conter para não gargalhar muito alto. Jane ao contrário, extremamente vermelha, disse entre os dentes:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Nunca! Nunca em minha vida conheci alguém tão frio como você!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Jane! Que injustiça! Vamos deixar para acertar isso mais tarde, em nossa nova cobertura&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Pois fique sabendo que você vai somente com o Sr. Mitáfilo conhecer esse lugar. Eu estou com dor de cabeça e vou para casa!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Ora amore&#8230; Tudo bem, não vamos nos estressar&#8230; Olha só, está começando a música que Pete fez para nós! Você me dá o prazer desta dança?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane deixou Samael conduzi-la a pista de dança, apesar de saber que a letra de “Eduardo e Mônica” não fora escrita por Pete para “Samael e Jane”&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo ficou sozinho na mesa.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Assim que a apresentação terminou, o casal voltou para a mesa. Pete Death, muito aplaudido, sequer voltou ao camarim, ao invés disso, aproximou-se do irmão:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Olá Pessoal! Tio Sama! Jane! Hmmm&#8230; senhor?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael apresentou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Este é o corretor Mitáfilo. Estamos fechando um bom negócio hoje à noite.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- O quê! Aproveitando o aniversário de casamento para fechar negócios? Esse meu mano velhaco não tem jeito mesmo, não é Jane?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Dizendo isso, Pete apanhou a latinha de Sukita de Jane e aproximou dos lábios para tomar um gole. Samael, aborrecido, deteve o gesto de Pete:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Pare! Não estrague o nosso “brinde laranja”!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane retirou a lata de sukita das mãos do cantor e disse suavemente:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Não irrite os mais velhos, Pete. Deixe-me brindar com o tio Sama&#8230; afinal são quatro anos de casamento! Sou uma heroína, não sou?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo acompanhava a cena, ansioso. Samael também apanhou sua lata e entrelaçou seu braço com o de Jane. Ele disse:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- A você Jane! O melhor negócio que já fiz em minha vida!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Jane fitou os olhos escuros de samael e respondeu:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Pela felicidade!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">No telão localizado no fundo do restaurante, um vídeo exibiu uma imagem de um rolo de capim imenso, que passou rolando pela tela.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">De braços entrelaçados, cada um bebeu um gole de sua respectiva lata de refrigerante. Instantes depois, Samael ainda sorria, porém a expressão no rosto de Jane era de horror. Ela engasgou&#8230; Seu rosto ficou vermelho. Ela tentou desesperadamente sussurrar algo, enquanto três homens atônitos a deitavam no chão do restaurante. Para-médicos foram imediatamente chamados, porém era muito tarde&#8230; O tempo de vida de Jane Finn neste mundo estava esgotado.</span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>CAPÍTULO DOIS – A INVESTIGAÇÃO</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O delegado Quin Linhares, especialmente designado para cuidar do caso do restaurante Pour Tours, já estava ciente do escândalo que o assassinato de Jane Finn causará na alta sociedade florianopolitana. Ele comentava com seu amigo e colaborador em muitos casos, o xerife Poio:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Poio! Que calamidade! Uma garota bela como Jane Finn, estimada por todos que a conheciam! E agora isto, envenenamento por arsênico! Por quê? Não faz sentido!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Poio argumentou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Você já ficou sabendo que ela e o irmão de Samael estavam tendo um caso? Pelo menos metade das fofocas da alta sociedade giravam em torno desse assunto! Pode ter sido um crime passional&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Duvido muito&#8230; Esse Samael é do tipo que só parece pensar em negócios, no entanto, é uma possibilidade que não devemos descartar, porém, falta algo&#8230; E se fosse Pete Death? O que ele ganharia matando a esposa de Samael? Jane vem de família pobre&#8230; Se Samael fosse a vítima&#8230; Daí sim eu compreenderia os motivos de Pete Death, mas não visualizo como ele pode ter colocado o veneno na bebida.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O xerife Poio alisou sua barbicha e falou:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- O que eu não entendo é o cloral! A lata de Sukita de Jane continha uma dose fatal de arsênico e a de Samael continha cloral! Em alta dose, é também um veneno mortal, porém, a dose presente na Sukita faria Samael cair em sono profundo em no máximo meia hora, sem correr maior risco de morte! Um autêntico “boa noite Cinderela!”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O delegado Quin, fitando seu tabuleiro de xadrez preferido, disse, animando-se:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- A presença desse cloral terá que ser explicada por esse tal Mitáfilo! Trancafiamos o homem agora há pouco! Um garçom viu o elemento jogando para longe um pequeno frasco branco, logo na hora do tumulto. E o que havia no frasco senão cloral?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">A situação de Mitáfilo complicara-se muito, principalmente com a descoberta de que sua identidade era falsa, tão pouco ele havia sido corretor na vida. Ninguém do ramo imobiliário conhecia o sujeito. O verdadeiro corretor, responsável pela cobertura, disse que Mitáfilo apresentara-se como um cliente interessado em comprar o imóvel e obtivera através deste pretexto as chaves para uma visita ao imóvel. O xerife Poio disse:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Ele tinha o cloral, está mentindo sobre sua identidade e, portanto, seus motivos são desconhecidos. Há menos que ele tenha uma história muito boa, o mistério logo estará resolvido. Uma noite trancado em uma cela quatro por quatro é um dos melhores remédios para problemas de amnésia&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Relendo o material já obtido sobre o caso, O delegado Quin expressou seu maior desejo naquele momento:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Se nós pudéssemos ter acesso à mente dessas pessoas&#8230; se pudéssemos saber o que estão pensando&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>CAPÍTULO FINAL &#8211; PENSAMENTOS</strong> </span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>Pete Death:</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Sentado no sofá de seu pequeno apartamento, esse jovem viking de 1.90m já havia consumido mais de dois terços de uma garrafa de tequila José Cuervo. No entanto, a dor em seu coração estava além da capacidade de cura do álcool. Ao fitar a cama onde ele e Jane haviam se encontrado tantas vezes nos últimos meses, ele não pode deixar de pensar:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Jane! Ah Jane! Nunca mais&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Ele queria fugir com a garota. Tantas vezes ele propôs para ela, ali mesmo: “vamos fugir”; “vamos viver como hippies modernos!”; “eu, você e o verde sem fim&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">E agora ela estava morta! Samael! Maldito Samael, ele havia descoberto tudo e resolvera se vingar, matando a criatura mais linda que já existiu no mundo&#8230; O quê fazer? O poder de Samael certamente impediria a justiça&#8230; E de que adiantaria a justiça agora? Afinal, Jane estava morta!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Em cima da mesinha, perto do sofá, Pete havia colocado dois objetos. À esquerda estava seu violão, parceiro de muitas aventuras, à sua direita, estava um objeto mais sinistro, um Taurus .32, carregado com seis pequenos projetis. Pete tinha que fazer uma escolha. Pegar seu violão e continuar sua vida, continuar a criar, continuar a viver, pois a música era a sua vida&#8230; Ou&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Tomando mais um gole de tequila, Pete moveu o braço em direção à mesa, murmurando o apelido carinhoso de sua amada:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">- Miss Jane, estou indo&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>Samael:</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Deitado sozinho em sua cama, Samael tentava afastar alguns pensamentos até então estranhos em sua mente:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>Morta&#8230;</em></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O que havia dado errado entre eles? Será que era o jeito calado dele? Quantas demonstrações de amor ele dera para a garota nesse tempo todo? Roupas, perfumes, carros, iates&#8230; Todo seu esforço na empresa&#8230; tudo apenas para Jane se orgulhar dele&#8230; Onde ele falhará? O que o dinheiro não pode comprar?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>Morta&#8230;</em></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">E agora, essa sensação estranha&#8230; muito além da perda de um bom negócio&#8230; Essa sensação de que algo sempre iria faltar em sua vida, algo muito importante&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>Morta&#8230;</em></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">E a culpa era dele! Fora ele quem caira na conversa fiada de Mitáfilo! Para agradar Jane, ele a havia exposto a um elemento estranho, que agora já se sabia que era um impostor!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Ah! O cretino vai pagar carro por isso! Nem que eu gaste toda minha fortuna&#8230; Esse cão não perde por esperar&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><em>Mort&#8230;</em></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Samael interrompeu seus pensamentos, virou-se para o lado, apanhando o jornal do comércio e começou a analisar as cotações da bolsa:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Hummm&#8230; Bons negócios à vista!”</span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>Mitáfilo:</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo não conseguia fechar os olhos naquela noite. Trancafiado na cadeia, as paredes pareciam estar se encolhendo sobre ele&#8230; Que avalanche toda era aquela por cima dele? Como tudo pudera dar tão errado? O que fazer agora?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Aquele cretino do Samael já devia saber que eu era um farsante. O cão sabia que eu só estava interessado naquele <em>Palm top</em>!”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Realmente, Mitáfilo era um dos mais discretos e bem pagos espiões industriais do mundo. O plano para roubar os segredos do último projeto de Samael significariam sua aposentadoria&#8230; Porém&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“A história das latas de Sukita foi perfeita, eu pude colocar a dose de cloral para a pequena Jane quando fui buscar a lata na copa do restaurante. Pronto, a garota ia dormir com os anjos&#8230; Logo surgiria a oportunidade para colocar o sonífero também na bebida de Samael&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Mitáfilo levantou-se e começou a caminhar em círculos pela cela&#8230; Seu pensamento voava:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Quando Jane disse que não iria mais conosco visitar o imóvel, tudo ficou mais fácil. Eu nem acreditei quando eles saíram para dançar, me deixando sozinho na mesa! Muita sorte&#8230; Eu deveria ter desconfiado que era armação&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O jovem espião esmurrou a parede de pedra, machucando seus dedos:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Troquei as latas! Deixei Jane para beber a lata pura de Samael e Samael beberia o cloral que eu já havia posto na outra! Tudo simples. Jane e Pete vão para um lado, eu, Samael dopado e seu <em>palm-top</em> para o outro&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“E agora? O que eu faço? Confessar tudo seria admitir que sou um espião e logo descobrirão meus outros serviços sujos&#8230; e&#8230; e&#8230; Eu não vou sair daqui!”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O suor escorria pelo rosto de Mitáfilo, o pavor estava estampado em sua face:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Eu não vou mais sair daqui&#8230; Eu não vou mais sair daqui&#8230;”</span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>E os mortos? No que pensam os mortos?</strong></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Aquela bela garota, que o mundo outrora conhecera como Jane Finn, sequer lembrava o nome que havia usado em vida. Ela passara incontáveis eras apenas caindo, caindo, caindo&#8230; Rumo a este lugar. Este lugar, cujo nome ela não queria pronunciar de modo algum. E ali estava ela, em pé, às margens de um estranho rio de água verde, que corria lentamente&#8230; Ela fitava aquela água quase parada com um olhar cada vez mais perdido.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">O céu a sua volta era cinza, pesado e opressivo e caía uma garoa muito fria e gelada, enevoando o ambiente. Todo o resto eram pedras e desolação.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">A sensação de perda que Jane sentia era enorme. Ela já não lembrava de mais nada de sua vida recém passada, exceto a de que perderá algo muito importante, algo precioso&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Se ela já não podia mais lembrar do amor, por outro lado, o ódio que dominara seu coração ainda estava muito quente dentro dela. Um ódio que ela podia exprimir numa só palavra: Samael!</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Maldito! Se ele tivesse morrido, as coisas seriam diferentes! Ela não estaria ali&#8230; Disso ela não esquecia:</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">“Coração fraco&#8230; Veneno na bebida&#8230; Samael morto!”</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Porém, o que havia dado errado? Por que ela havia provado de seu próprio veneno?</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">A felicidade agora era apenas uma ilusão. À distância, ela podia distinguir alguns vultos, todos tão irreais&#8230;</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">Se ela ainda pudesse reconhecer o mundo a sua volta, perceberia o jovem de aspecto viking que estava parado bem ao seu lado. Em sua mão ainda havia uma Taurus .32, mas ele logo a deixou cair. Seus olhos tristes também estavam fixos nas águas verdes daquele lento e monótono rio e ele também já não compreendia mais o sentido da palavra “amor”, somente restara a sensação de perda e de vazio.</span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;">E, assim, Jane Finn e Pete Death terminaram juntos para sempre, nesse estranho lugar onde “esperança” é uma palavra sem significado.</span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><strong>F I M</strong></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=13&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os Fãs de Agatha Christie</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jun 2008 03:25:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Capítulo Um: Encontro no Mitatório Rio de Janeiro – sábado – 09:00 Tommy Ruas pensou: “É a realização de um sonho”. Pela primeira vez, um grupo de amigos se reuniria para que todos se conhecessem pessoalmente. Até então, eles apenas trocavam correspondências através da internet. No início, tinham em comum apenas a paixão pelos livros [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=11&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><strong>Capítulo Um: Encontro no Mitatório</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><em>Rio de Janeiro – sábado – 09:00</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tommy Ruas pensou: “É a realização de um sonho”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Pela primeira vez, um grupo de amigos se reuniria para que todos se conhecessem pessoalmente. Até então, eles apenas trocavam correspondências através da internet. No início, tinham em comum apenas a paixão pelos livros da escritora inglesa Agatha Christie, mas com o passar do tempo, começaram a perceber diversas outras afinidades. A bem da verdade, alguns deles já se conheciam pessoalmente e foi assim que surgiu a idéia do encontro. E que lugar melhor para acontecer um evento desses do que o Mitatório? Era simplesmente o lugar perfeito!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O Mitatório era o restaurante de Tommy. Ele comprara aquela grande casa em estilo vitoriano há alguns anos. Apesar do lixo e da imundície acumulados e do péssimo estado da obra, Tommy viu todas as possibilidades do ambiente. Após muitas reformas, o resultado era um agradável e aconchegante restaurante temático, destinado aos amantes do mistério e da aventura.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O estilo da casa, a decoração, os jardins, enfim tudo havia sido projetado para que o conjunto final lembrasse as imensas mansões vitorianas, onde costumavam acontecer crimes escabrosos e aparentemente insolucionáveis, isto é, crimes que aconteciam apenas no universo das obras de mistério.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Naquele instante, Tiago Ruas entrou apressado pela porta principal. A primeira vista, poderia se dizer que os dois eram irmãos, porém, Tiago era sobrinho de Tommy. O jovem estudante de teatro adorava histórias de mistério e era o fiel escudeiro de Tommy, ajudando-o a administrar o Mitatório. Os clientes mais antigos chamavam os dois de “Irmãos Hastings”, devido à semelhança de ambos com o ator inglês que interpretava este personagem de Agatha Christie em uma famosa série de televisão.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago estava afobado, como sempre, e perguntou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- A que horas o pessoal vai chegar?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Bom dia, Tiago! Os nossos convidados devem estar chegando a partir das dez horas. Dispensei todos os funcionários, como tínhamos combinado, vamos criar um clima mais familiar para nossos amigos. Você preparou o enigma?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago respondeu sorrindo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Claro! Assim que forem chegando, vão colocar seus pertences em cima da mesa, no hall de entrada e poderemos realizar o jogo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tommy adorava esse tipo de enigma lógico, uma pequena diversão bem apropriada para fãs de mistério. No entanto, um outro assunto aflorou na mente do dono do Mitatório, que se lembrou de perguntar:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- E seus estudos, Tiago? Vejo seu material de estudo sempre na cozinha e me pergunto se você está realmente preparado para o teste da escola de teatro?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Vai ser na semana que vem, tio. Estou pronto!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ótimo! Você sabe que tem que se virar na vida sem depender do Mitatório! Lembre-se de todo esforço que meu irmão, seu pai, fez para pagar seus estudos&#8230; Você tem que ter a mente concentrada em concretizar o seu destino, que é o de ser um grande ator!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago sabia muito bem o que o tio estava querendo insinuar, alias, fazia dois meses que ele vinha ouvindo essa mesma história. Oportunamente, o ronco de um potente motor ultrapassando os portões de entrada foi à deixa certa para Tiago mudar de assunto:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ouça, tio! Nosso primeiro convidado acaba de passar com seu carro pelo portão principal, vamos recebê-lo lá fora!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O primeiro a chegar foi Mitáfilo Nehujar, o gaúcho de origem alemã. Ninguém que olhasse para aquele sujeito vestido como surfista, com aquela camisa azul florida indefectível, diria que estava diante do mais brilhante estudante de medicina da Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago exclamou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Fala Mitá! Cara! Que carrão é esse? Você nunca me disse que tinha um Corolla!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo, todo sem jeito, começou a explicar:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Pois é&#8230; Ganhei de presente do meu pai quando passei no vestibular&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Nesse momento, um carro entrou rapidamente no estacionamento, passou tão perto do Toyota de Mitáfilo que este chegou a verificar se o retrovisor continuava no lugar. Tratava-se de um Vectra, dirigido por uma mulher exuberantemente vestida. Ela conduziu o carro até a porta principal do restaurante, passando a centímetros do pé esquerdo de Tommy, que saltou para trás, assustado.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Sabrina Baltor, a indômita motorista do Vectra, estacionou bem em frente à entrada do Mitatório, justamente no lugar onde mais poderia prejudicar o trânsito, e desceu rapidamente do carro, seguida por sua vizinha, Mariana Mascheroni.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Sabrina era uma carioca com toda a saúde e beleza de seus 24 anos. Muito extrovertida, ela começou a falar de forma esfuziante: “Felicidade Total”, “O dia mais feliz da minha vida”, “Que prazer ver vocês aqui!”, etc..</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Já a sua vizinha era muito mais reservada. A adolescente Mariana, a mais nova do grupo, ainda tinha o rosto de um anjinho, a menos é claro, que um observador mais atento fitasse aqueles pequenos e malvados olhos escuros por algum tempo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo mal tinha se recuperado do susto, quando apareceu no estacionamento um Vectra do mesmo modelo do anterior e com outra carioca esfuziante ao volante. Felizmente, Claudinha S. Leite, a jovem morena de 23 anos, dirigia bem melhor que sua conterrânea.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">A animada turma que havia se formado já ia entrando no restaurante quando chegou Adriano Domingues em seu Fiesta Preto. Adriano era alto, poderia muito bem ser jogador de basquete se quisesse, mas era bem tímido e quando falava, mal se escutava a sua voz. Ele se apresentou polidamente, demonstrando toda a formalidade de um inglês, mesmo que a Inglaterra estivesse a milhares de quilômetros do local onde estavam.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tommy convidou todos:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Vamos entrar! É melhor nos apresentarmos tomando um Sirop de Cassis, mas cuidado! Advirto a todos que os brindes de cianureto são permitidos no Mitatório!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago foi fazendo às vezes de anfitrião, orientando todos para que deixassem bolsas, carteiras e chaves de carro em cima da mesa do hall de entrada, pois, segundo ele, haveria mistérios para resolver ainda naquele dia. Após todos terem passado para sala de refeições, iniciou-se o que poderia se chamar de uma “apresentação coletiva”. Tiago, que havia entrado por último na sala, fechou porta e caminhou até o meio do salão, onde todos conversavam alegremente. Tommy notou a entrada discreta de Tiago e piscou o olho para ele. O enigma já devia estar preparado, foi o que ele pensou.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">No centro da sala, a pequena Mariana comentava espantada para o resto do grupo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Que lugar maravilhoso! Vejam a lagoa! Nada de poluição!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Sabrina Baltor riu do comentário da garota e acrescentou maldosamente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Qualquer lugar é lindo para você, Mariana. Também pudera! Você mora em uma casa torta!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Ao ouvir este comentário, Mitáfilo voltou sua atenção para Sabrina: “Onde é que ele havia ouvido falar em casa torta antes?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tommy, que acabara de servir mais uma rodada de Sirop de Cassis, declarou com ar de solenidade:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Que bom poder receber vocês aqui hoje! Pena que ainda estejam faltando alguns membros da mailing list, não?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago, que havia organizado a lista do encontro, divulgou a lista dos ausentes:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Faltam a Daniela Fernandes e o Samael Darcangelo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- A Dani não vem! – interveio Claudinha – fiquei sabendo que ela quebrou a perna em um acidente durante uma descida de rapel.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Após vários “que horror” e “rapel é coisa para loucos”, a conversa ficou girando em torno de esportes radicais, até que Sabrina Baltor resolveu mudar de assunto, retornando ao tema da beleza do lugar onde estavam:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Tommy! Parabéns pelo seu Mitatório! O Tiago vivia falando deste lugar na mailing e ele tinha razão. Esse ambiente misterioso, essa aura&#8230; Outra pessoa que deve adorar isto aqui é a Luciana Freire, não é?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O sorriso apagou-se do rosto de Tommy. Ele baixou os olhos, respondendo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Infelizmente, Luciana não está mais por aqui. Ela resolveu sair do país&#8230; Faz dois meses desde que ela partiu para a Europa&#8230; Eu&#8230; Eu&#8230; Bem&#8230; A Europa é um lugar lindo, eu diria até que é o lugar perfeito para novos investimentos&#8230; É só não se apegar ao passado&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Nesse momento, a emoção tomou conta de sua voz, e Tommy mal conseguiu completar:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Fiquem aqui com o Tiago, ele tem surpresas para vocês. Estarei na cozinha, preparando nosso almoço.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Assim que ele saiu da sala, Mitáfilo falou, esquecendo de disfarçar seu sotaque:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Que baita furo, hein Sabrina? Você não sabia que Tommy e Luciana estavam namorando? A saída repentina da garota deixou o Tommy muito abalado&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O tempo foi passando, as conversas giraram em torno de todo o tipo imaginável de assunto. Conhecer as pessoas em carne e osso era muito, mas muito diferente do que ler suas mensagens pela tela de um computador.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana quis verificar o andamento do almoço e foi para a cozinha fazer companhia para seu novo “tio” Tommy. As atenções na sala estavam voltadas para a camisa azul florida de Mitáfilo, onde se lia, em imensas letras amarelas: “Eu tomo chimarrão, e daí?”. Sabrina não conseguia entender como alguém podia tomar algo quente e amargo e ainda gostar da bebida.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Nesse momento, Adriano saiu discretamente da sala, indo em direção ao banheiro.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana voltou com novidades. Seus olhos negros estavam mais brilhantes do que nunca, quando anunciou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O tio Tommy está fazendo um ensopado daqueles das histórias do Poirot!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Claudinha ficou curiosa com o tal ensopado, e, pedindo licença aos demais, saiu em direção a cozinha. Aproveitando a saída da moça, Tiago puxou o assunto:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">-Mitá! E o Paulo Schreiner? Lembra? O maluco jurou que um dia ainda iria te colocar na cadeia!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Paulo Schreiner havia ganhado o título de “mala” da mailing. Enquanto esteve inscrito nela, reinara um clima de quase terror. O principal alvo de Schreiner sempre fora Mitáfilo e a coisa ficou séria quando Paulo acabou acusando Mitáfilo de assassinato. Pouco tempo depois, para alívio de todos, Paulo desaparecera da lista e ninguém nunca mais se teve notícias dele.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Sabrina interveio rapidamente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Psssst! Não diga nada sobre o “você-sabe-quem” aqui! A Claudinha é sobrinha dele!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O quê? – Mariana parecia não acreditar.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- É verdade. – Adriano falou com sua voz grave, assustando Sabrina, que não percebera o retorno do gigante – Mas é melhor evitar esse assunto! A Claudinha detesta esse tio, parece que não se falam há anos.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana não se dava por satisfeita:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- E como você pode saber disso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Adriano ficou vermelho como um pimentão. Comentou em voz sumida:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Eu e Claudinha namoramos por algum tempo&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo, que não perdia um lance por nada do mundo, concluiu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Então o S. de Claudinha S. Leite significa Schreiner! Era só o que faltava!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">A conversa parou nesse ponto, pois Claudinha estava voltando da cozinha.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"> </p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="center"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">&#8212;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><strong>Capítulo Dois: Amor e Morte</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><em>Rio de Janeiro – sábado – 11:45</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Claudinha ia começar a falar sobre algo, mas foi interrompida por um estridente alarme de carro que começou a tocar naquele instante. Mitáfilo reconheceu o som imediatamente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- É o meu carro! Esperem um pouco que vou desativá-lo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">As conversas ficaram suspensas, enquanto todos observavam Mitáfilo abrir a porta da sala de refeições e dirigir-se para a mesa do hall. Após certa procura, ele anunciou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ei! Cadê as chaves?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Dizendo isso, ele correu para fora. Sabrina, que foi a primeira a segui-lo, notou que o carro ainda estava no estacionamento, porém, reparou que Mitáfilo estava parado, mais branco que uma vela, olhando fixamente para o capo do Toyota. Ela seguiu seu olhar e viu aquilo.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana e Adriano estavam mais longe da cena, mas também perceberam o que havia acontecido no carro de Mitáfilo. Mariana ia perguntar algo, mas a expressão séria e abalada de Adriano a impediu de falar. E o alarme continuava tocando. Claudinha, que havia chegado por último na cena, não conseguia ver o que todos olhavam no capo do carro de Mitáfilo. Ela caminhou até o lado de Adriano e olhou por cima do ombro de Sabrina&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- NÃÃÃÃOOOO!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O grito de Claudinha serviu como um balde de água gelada. O estridente alarme continuava tocando, acompanhado agora por uma confusão de vozes, com todos falando ao mesmo tempo. De repente, cessou o alarme. Tiago, estava parado na porta de entrada, com as chaves do carro de Mitáfilo na mão. Ele parecia não entender a gravidade da situação, pois perguntou sorrindo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Que grito foi esse? Vocês estragaram o enigma, sabiam?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Quer dizer que você é o responsável por isso? – Perguntou Mitáfilo, livrando-se do nó que estava preso em sua garganta.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Isso o quê? – Tiago perguntou, enquanto se aproximava do Toyota de Mitáfilo. Foi aí que ele pode ver o capo. Parou imediatamente:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ei! O que significa isso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo. Com a paciência por um fio, comentou entre os dentes:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Pensei que você pudesse me explicar!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Olha só! É melhor contar tudo. Eu e tio Tommy bolamos um jogo para o Mitatório. É uma espécie de enigma lógico que agrada muito aos fregueses. É bem simples, pedimos que as chaves e bolsas fiquem sobre a mesa.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Após a entrada dos clientes na sala de refeições, eu apanho uma das chaves de carro com alarme e escondo no bolso. Funciona sempre, basta eu acionar o alarme com o controle lá da sala de refeições. Normalmente acontece isso: os convidados saem para o estacionamento e eu aproveito para esconder a chave em uma das bolsas.”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">O jogo então é bem simples. Eu e tio Tommy somos ótimos nessa arte de montar enigmas lógicos! Pelo certo, vocês deveriam voltar para dentro, onde eu ia explicar que a chave estava escondida em uma algum lugar do hall de entrada e daria cinco pistas lógicas, do tipo: “o vaso chinês está a esquerda de onde está a chave”, etc..”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Quem acertasse antes onde estava a chave, ganharia o jogo e teria o prazer de se livrar do som do alarme! É uma idéia bem simples, bobinha até, mas vocês não imaginam como isso agrada os clientes!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago acabou sua explicação sobre o jogo, acrescentando:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Agora! Isto! – e apontou para o capo do Toyota – Isto eu não sei explicar!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O capo do carro de Mitáfilo estava riscado. Alguém fizera riscos enormes com um prego. Seria apenas obra de algum vândalo que teria invadido o estacionamento, exceto pelo que estava riscado no carro. Não eram riscos aleatórios, havia um padrão, podia-se ler claramente duas letras: “PS”.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Foram essas letras riscadas que paralisaram a todos. P e S, algo que os fazia lembrar de uma pessoa em especial&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Claudinha, muito nervosa, comentou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O que vamos fazer agora?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Uma nova voz respondeu. Uma voz clara, com uma entonação perturbadora:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- É melhor entrarmos. Talvez o dono desse carro queira telefonar para a polícia&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Só então foi percebida a presença de um estranho no estacionamento, alias, todos perceberam também que um Opirus preto estava estacionado logo perto da entrada. Ninguém havia percebido a chegada desse carro. O dono dele vestia preto. Sabrina, que já conhecia o estranho, rompeu o silêncio:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Samael! Finalmente você apareceu! Olha só o que fizeram no carro do Mitáfilo! Você viu quem fez isso?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O convidado atrasado pareceu refletir bastante antes de responder. Um silêncio pesado caiu sobre o local. Um persistente rolo de capim passou rolando entre ele e os demais. Por fim, Samael respondeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Infelizmente, não. Acabei de chegar. Creio que vocês nem perceberam devido ao choque. Só escutei a explicação de Tiago e vi o estrago&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana, que estava emocionada com o “fantástico” acontecimento, olhou fixamente para Samael. Havia algo de errado na cena, mas o que seria? Ah! Sim! Era a posição onde estava Samael. Ele estava muito perto do canto do estacionamento, como se estivesse vindo da parte lateral do Mitatório e não como se estivesse vindo de seu próprio carro&#8230; Seria apenas imaginação? Ela achou melhor não falar nada, pois o homem a assustava com seu olhar penetrante.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Quando o grupo se encaminhou novamente para dentro do restaurante, Mitáfilo notou algo peculiar em Samael. Este andava muito próximo de Adriano, de modo que a sombra de Samael não era refletida no chão, sendo encoberta pela do gigante. Mitáfilo lembrou um antigo ditado: “O diabo não tem sombra.”, e em seguida fez o sinal da cruz para se benzer.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Antes de entrar novamente no Mitatório, Adriano olhou para o letreiro acima do portão e pensou: “Restaurante Mitatório, hein? Aqui tem marosca&#8230;”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">De volta a sala de refeições, Mitáfilo dirigiu-se ao telefone. Sabrina, percebendo o nervosismo de Claudinha, ofereceu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Você quer um copo da água? Espere um pouco que vou buscar&#8230; Ei! Que cheiro de queimado é esse?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Sabrina disse isso enquanto entrava na cozinha. Ela entrou, deu um passo, parou estática, voltou correndo para a sala e talvez fosse gritar algo, mas não teve tempo. Caiu desmaiada.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O pânico foi geral. Mitáfilo correu para acudir a amiga, enquanto Adriano, Tiago e Samael corriam para a cozinha. A cena parecia irreal. O ensopado queimava em cima do fogão. Deveria ter sido tirado do fogo há algum tempo. Isto é, ele teria sido tirado, se o cozinheiro ainda pudesse fazer isso, mas os mortos não cozinham.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Caído aos pés do fogão, ainda segurando uma colher de pau na mão, estava Tommy. De sua nuca corria um grosso filete de sangue, proveniente de um pequeno orifício. Não havia dúvidas, Tommy Ruas estava morto, assassinado à bala.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Samael conseguiu falar por primeiro:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Não toquem nele! A polícia tem que fazer a perícia!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago soluçava, encostado na parede:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Meu Deus! Tio&#8230; Não pode ser! MORTO! Como? Por quê? Isso não é verdade&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Adriano bloqueou a entrada de Claudinha e da garota Mariana, dizendo:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Não entrem! É uma cena horrível! Mitáfilo! Ligue para a polícia depressa!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O que aconteceu? – gritou Claudinha.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Tommy está morto! Levou um tiro!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mariana estava eufórica. Era o dia mais emocionante de sua vida. Já Claudinha, recusava-se a acreditar naquilo tudo. Preferiu se concentrar em Sabrina, que Mitáfilo havia deixado aos seus cuidados, enquanto telefonava para a polícia.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Tenho sais de cheiro na minha bolsa! – exclamou Claudinha – Mitá! Sais de cheiro podem acordar a Sabrina?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo, que esperava ser atendido no telefone, fez sinal de positivo para Claudinha, e ela então correu para o hall de entrada, indo em direção a sua bolsa.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Adriano, que continuava barrando a entrada da cozinha, olhou para seus pés e reparou em um paninho azul, que estava bem onde não deveria estar. Ele abaixou-se para apanhá-lo, mas Samael interveio:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Eu também já vi esse pano! Deixe-o aí mesmo! Pode ser uma pista&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mitáfilo, que já largara o telefone, correu em direção a desacordada Sabrina e gritou, irritado:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O xerife Poio e o delegado Quin já estão vindo para cá. Mas onde diabos estão os sais de cheiro? Claudinha? CLAUDINHA? DEPRESSA!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">No entanto, seu grito foi em vão. Ao longe, escutou-se o ronco de um carro arrancando a toda velocidade. Claudinha estava fugindo do local do crime&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;text-align:center;"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">&#8212;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><strong>Capítulo Três: Explicações</strong></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><em>Rio de Janeiro – terça – 18:00</em></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O funeral de Tommy havia sido manchete em todos os jornais da cidade. O crime escabroso era o assunto das rodas de bar. Claudinha era a principal suspeita, pois ainda estava desaparecida. A polícia já estava a sua procura.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago Ruas foi conduzido até uma sala enorme. Ele percebeu a fina decoração do ambiente, que lembrava claramente o Mitatório. Mesas de mogno, uma estante com dezenas, ou melhor, centenas de livros. Tiago percebeu que, na maioria, eram livros de mistério. No entanto, o que mais chamou a atenção foi um enorme biombo chinês, instalado em um dos cantos da sala.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O dono do luxuoso escritório estava sentado atrás de uma imensa mesa, cheia de entalhes de madeira. Com um aceno, ele convidou Tiago:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Sente-se ai, meu amigo! Beba um cálice de Sirop de Cassis. Creio que a agitação foi muita nas últimas horas, não?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago aceitou o convite, e respondeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Pois é&#8230; Samael! Todo o interrogatório da polícia! O enterro do Tio Tommy! Que tragédia&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago baixou os olhos por alguns momentos, depois, olhou diretamente para Samael e perguntou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Por que você me chamou aqui?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Bem, sem rodeios, Tiago. Gosto de ser objetivo! Quero metade do Mitatório!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- O quê? – Tiago levantou-se num acesso de cólera – Como você tem coragem de vir me falar uma coisa dessas agora! O corpo do meu tio ainda nem esfriou!!!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Cale-se! – Samael ordenou – Você é o herdeiro natural de Tommy, não? Então é simples, você me dá metade do restaurante em sociedade e pronto!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- E porque eu daria metade do Mitatório para você?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Porque eu tenho uma pequena história para te contar. Ouça:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Ontem eu cheguei ao restaurante antes que o alarme disparasse. Eu já estava quase entrando, quando ele disparou. Voltei meus olhos para o Toyota e vi as letras “PS&#8221; no capo. Instintivamente, corri para a lateral do prédio. Não seria bom que me vissem chegando logo na hora que um alarme disparava e, ainda por cima, era o alarme de um carrão riscado daquela forma tão sugestiva&#8230;”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Pelas janelas laterais, pude ver o pessoal saindo aos poucos, exceto você, não é Tiago? Pude ver claramente quando você apareceu no hall de entrada, com a arma na mão. Não consegui identificar o modelo, mas você deve ter pago uma nota para adaptar o silenciador.”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Após esconder a arma em uma das bolsas, você tirou a chave do Mitáfilo do bolso e foi para a entrada, desempenhar seu papel de o-que-está-acontecendo-aqui? &#8211; Pelos fatos posteriores, agora sei que você escondeu a arma na bolsa de Claudinha. Muito bem bolado!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago escutou tudo petrificado. Após assimilar as palavras, desafiou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Você não pode provar nada!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Claro que não! Mas posso contar minha história para a polícia e você sabe como é a nossa polícia, não sabe? Eles estão no encalço de Claudinha apenas porque ela foi ingênua e fugiu. No entanto, logo vão perceber que você é que se beneficiou com a morte de Tommy.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Veja bem – continuou Samael &#8211; Eu não quero te entregar para a polícia. Não ganho nada com isso! Quero apenas me tornar seu sócio no Mitatório! Veja meu escritório! Eu também adoro mistérios, como você! Sejamos sócios! Que importa um assassinato na história do Mitatório? Só vai servir para atrair mais clientes!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago olhou novamente para a decoração do local. Demorou-se um pouco mais, fitando o biombo chinês. Certamente, ele iria precisar da ajuda e do dinheiro de Samael para continuar com seu precioso Mitatório. Além do mais, desde que cometera o crime perfeito, ele sentia uma estranha necessidade de contar para alguém como ele fora esperto! Samael, famoso na mailing por sua falta de escrúpulos, sem dúvida era o cúmplice perfeito.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago falou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Eu amo o Mitatório! Procure entender, desde que tio Tommy montou o local, eu passei a maior parte do meu tempo lá, dando duro, batalhando pelo “lugar do mistério”! Ah! Foram dias felizes! Tudo estava perfeito, apesar das insistências para que eu continuasse estudando teatro&#8230; O que as pessoas entendem sobre as motivações dos outros? O que eu queria era estar lá, naquele ambiente de magia e mistério, como se eu fizesse parte de um dos livros da Dama do Crime!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tudo teria continuado perfeito, se a namorada do tio Tommy não tivesse partido para a Europa! Ah! Que porcaria! Tio Tommy não se conformava com a situação, e passou a falar cada vez mais em novos investimentos&#8230; Europa é um bom lugar&#8230; Cuide de sua vida Tiago, não dependa do Mitatório!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Ora! O canalha ia vender tudo para ir atrás do seu amor. Cretino! E eu? O que eu podia fazer?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Foi na própria mailing list que encontrei a inspiração! Lembra daquela frase que o Pete Death sempre citava? Aquela que dizia que ninguém pode dizer se é ou não é um assassino, até ter a chance real de cometer um crime?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Pois foi o que eu pensei! Por que eu também não podia cometer um crime? Será que na hora H eu teria coragem de puxar o gatilho?”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Samael interrompeu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- E foi aí que você bolou o plano, não foi?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Lógico! Aproveitei o encontro do pessoal. Elaborei a lista de convidados, o Mitáfilo e a Claudinha eram presenças indispensáveis!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Naquela manhã, fui o último a entrar. Na verdade fiquei para trás, para poder riscar as letras “PS&#8221; no carro do Mitáfilo. Eu sabia o efeito que aquilo iria causar. No momento oportuno, acionei o alarme. Enquanto todos corriam para fora, fui até a cozinha. Tio Tommy achava que o que acontecia era a inocente brincadeira do enigma e nem se perturbou, concentrado que estava em seu ensopado. Retirei um lenço azul de meu bolso, e com ele apanhei a arma que eu previamente havia escondido embaixo de meu material de estudo para o teatro.”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Foi nesse momento que percebi que eu realmente podia matar alguém! Alias, no momento mágico em que disparei a arma, sem sequer tremer, toda a minha vida fez sentido! Todos os livros de mistério que eu li! Todos os enigmas que eu bolei! Nada daquilo pôde se comparar ao prazer de cometer um crime!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Entenda bem, Samael! Esse é o nosso sonho secreto! Todos que estão na mailing, todos que adoram mistério. O que querem eles? Emoção! Essa é a resposta! E matar é tão fácil&#8230; E tão emocionante!”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Samael, que ouvia a tudo impassível, falou:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Se me permite dizer, a idéia do lenço azul foi fantástica! Você impediu que suas impressões digitais ficassem na arma e deixou o lenço no meio do caminho, para aumentar a confusão, caso isso fosse necessário. Foi assim, não?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago retornou ao tema “como-fui-esperto” e falou emocionado:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Perceba que eu não pus o lenço junto com a arma na bolsa de Claudinha. A primeira reação quando se encontra um objeto estranho entre nossas coisas é apanhá-lo na mão para vê-lo de perto. Se ela visse também o lenço, poderia lembrar de apagar impressões digitais. A idéia era que a arma ficasse escondida em sua bolsa e que a polícia a descobrisse&#8230; O carro riscado com PS&#8230; Tudo confuso, um mistério apontando para a sobrinha de um homem desequilibrado.</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify">“<span style="font-family:Bookman old style, serif;">Mas a sorte está do meu lado, Samael! Claudinha foi buscar os sais de cheiro e encontrou a arma! Aposto que até a segurou nas mãos! Deve ter pensado que o tio violento, após riscar o carro, queria incriminá-la! Desesperada, ela resolveu fugir! Hehehe”</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">O riso de Tiago era de puro prazer. Samael ergueu seu cálice com Sirop de Cassis, e propôs um brinde:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ao crime!</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Tiago ergueu seu cálice e concluiu:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Ao crime! Seremos grandes sócios, Samael! Você tem os mesmos gostos que eu! Percebi isso logo que vi esse biombo chinês ai no canto! É uma cópia idêntica daquele da história da Agatha, não? “Um cadáver atrás do biombo”, é esse o nome, não é?</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Que engraçado você comentar isso, meu caro Tiago! Esse é mesmo um biombo igual ao descrito na história, mas você deve saber que, se um biombo pode ocultar um cadáver, também serve para ocultar pessoas vivas&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Ao ouvir isso, Tiago olhou diretamente para o biombo, já sabendo o que esperar&#8230; Duas pessoas saíram de trás dele. Samael falou em um tom muito formal:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Permita-me apresentar-lhe estes cavalheiros. São o Xerife Poio e o Delegado Quin Linhares. Creio que eles tem algo para você&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">Enquanto o Xerife Poio sacava um par de algemas e se aproximava de Tiago, o delegado Quin falou solenemente e em voz clara:</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;" align="justify"><span style="font-family:Bookman old style, serif;">- Tiago Ruas! Você está preso pelo assassinato de seu tio, Tommy Ruas. Você tem o direito de permanecer calado&#8230;</span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0.2cm;text-align:center;"><span style="font-family:Bookman old style, serif;"><strong>FIM</strong></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=11&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fade to Black</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 02:41:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[PARTE I &#8211; O CASO Stylesford é uma mansão de aspecto vitoriano, encravada na região central da Inglaterra. Qualquer pedestre que vislumbrasse sua bela e antiga fachada naquela tarde de sol, estranharia a rápida melodia de rock ‘N’ roll que vinha de seu interior. Na verdade, a música alta incomodava até mesmo alguns moradores da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=5&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>PARTE I &#8211; O CASO</strong></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Stylesford é uma mansão de aspecto vitoriano, encravada na região central da Inglaterra. Qualquer pedestre que vislumbrasse sua bela e antiga fachada naquela tarde de sol, estranharia a rápida melodia de rock ‘N’ roll que vinha de seu interior. Na verdade, a música alta incomodava até mesmo alguns moradores da mansão. Richard Jones comentava irritado:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Veja bem, Paul! É um absurdo esse noivo que nossa irmã arranjou! Um brasileiro cabeludo que passa o dia na sala de música, sempre ouvindo esse lixo!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O irmão balançou a cabeça, concordando:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Tem razão! E o pior é que ele parece ouvir sempre essa música triste. &#8220;Fade to Black&#8221; não é muito apropriada para o clima em que estamos vivendo. Imagine só! Uma música que fala sobre suicídio!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Paul Jones, o irmão mais velho, tinha razão ao falar. Desde a morte de seu pai, ocorrida há um ano, as coisas iam de mal a pior em Stylesford. Infelizmente, Vitoria Jones, viúva do Coronel Jones, sofria de psicose maníaco-depressiva. Sua saúde mental era bastante instável, garantida apenas a base de duas capsulas de Lithium que ela precisava ingerir todas as noites.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Mesmo com o tratamento, Vitória estava com a saúde muito abalada. Durante a fase &#8220;maníaca&#8221; de sua doença, distribuía doações vultuosas da fortuna que o Coronel juntara durante sua vida. Já nas fases depressivas, era preciso muito cuidado para evitar que a angústia a levasse ao suicídio. Felizmente, o Lithium mantinha a situação em um equilíbrio estável.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A filha mais nova, Letícia, sempre havia sido a pessoa &#8220;alto astral&#8221; da casa. Seus belos olhos azuis combinavam perfeitamente com seu corpo suave, cheio de curvas. Sua delicadeza e determinação elevavam o ânimo de todos, principalmente o de sua mãe doente. No entanto, até mesmo Letícia andava tristonha e depressiva nas últimas semanas. Não havia adiantado nem mesmo trazer Roberto da Costa, o brasileiro que roubara o coração da moça, para passar suas férias na mansão da família Jones. Por algum motivo, Letícia continuava triste e deprimida, passando a maior parte do tempo trancada na sala de música com Roberto, ouvindo &#8220;Fade to Black&#8221; e coisas do tipo.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Paul Jones, 25 anos, alto e forte, notório gastador e aventureiro, sentia-se irremediavelmente preso àquela casa. Ele temia o pior, ou seja, sua mãe doando toda a fortuna para alguma entidade filantrópica. Ele odiava o irmão mais novo, que na sua opinião não passava de um pintor fracassado e covarde. O pior de tudo era ter que viver sob o mesmo teto, sem verba para poder sair e conhecer o mundo. Se ao menos sua mãe morresse&#8230; Ele comentou com Richard:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Do jeito que vai, logo não haverá mais fortuna alguma por aqui&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Richard estava perdido em seus próprios pensamentos e falou em um tom irritado:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Odeio esse cara que Letícia trouxe para cá. Se ao menos eu tivesse grana para me mandar daqui. Se ao menos&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A única pessoa na casa que parecia se importar mais com Vitória Jones do que com o seu dinheiro era a velha e fiel empregada Helena Polanski. O Coronel Jones e Vitória deram todo o auxílio que Helena precisou quando teve que fugir da Polônia, durante o obscuro período da Guerra Fria. Desde aquela época, Helena havia jurado fidelidade aos patrões. Vendo os dois irmãos cochicharem baixinho, ela pensou revoltada: &#8220;Canalhas! Só querem beber o sangue da Sra. Jones. Ah! Mas isso eu não vou permitir! Jamais!&#8221; </span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Naquela noite, precisamente às 21:30, a Sra. Jones, que nem havia tocado em seu jantar, apanhou uma xícara de chá, levantou-se e disse:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Preciso tomar uma decisão muito importante meus filhos. Vou para meu escritório e não quero ser perturbada. Helena! Leve mais uma bandeja de chá para mim daqui a uma hora.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ela ia saindo da sala. Uma triste e alta figura carregando tremulamente sua xícara de chá. Parou por um instante, virou-se e acrescentou:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Não se preocupem crianças, vocês vão ficar bem.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Richard e Paul se entreolharam. O que será que viria agora? Mais doações? Já Letícia pareceu nem ouvir as palavras da mãe, perdida em sonhos de sua vida futura com Roberto.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A empregada começou a retirar a mesa. Declarando não estar com ânimo para nenhuma conversa, Letícia subiu para seu quarto. Roberto foi para a sala de música. Não demorou muito, e &#8220;Fade to Black&#8221; ressoou pela casa.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ao ouvir os primeiros acordes, Paul ficou furioso. Pareceu tomar uma decisão naquele momento. Levantou-se e saiu rapidamente. Richard ficou sozinho, perdido em pensamentos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Durante a hora que se passou, uma discreta, porém intensa movimentação tomou conta da mansão.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Às 22:30, Helena bateu na porta do escritório de sua patroa, não obtendo resposta alguma, ela girou suavemente a maçaneta e entrou no recinto.</span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O inspetor Schreiner, encarregado pela Scotland Yard para conduzir a investigação sobre o assassinato da Sra. Vitória Jones, comentava com seu assistente:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Nem dá pra acreditar numa coisa dessas! A mulher foi apunhalada pelas costas e ainda por cima levou um tiro! Vamos recapitular novamente o caso!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Pela milésima vez, O assistente tornou a ler as anotações:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Às 22:30 da noite passada, a empregada Helena Polanski encontrou sua patroa, Vitória Jones, morta no escritório de sua casa. A Sra. Jones foi vista com vida pela última vez às 21:30, quando se dirigiu ao escritório. Era hábito da falecida proceder assim todas as noites.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;A Sra. Vitória Jones levou um tiro, disparado por uma arma com silenciador. Esta pistola foi retirada da sala de armas do Coronel Jones, que em vida fora um colecionador fanático por material bélico. O tiro foi disparado de fora da casa, atravessou a grande janela veneziana e alojou-se no peito da vítima. Apesar de estar sentada na cadeira ao lado da mesa de chá, ou seja, de fronte para a veneziana, a vítima parece não ter notado a aproximação do assassino.&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- E a arma já foi encontrada? &#8211; perguntou o inspetor.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Sim senhor! Estava escondida, sem impressões digitais, em uma das gavetas da cômoda do quarto de Richard Jones.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Francamente! Que tentativa grosseira de se incriminar alguém!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Concordo senhor. Bem, continuando&#8230; A vítima podia já estar morta quando o disparo foi efetuado. Havia um ferimento profundo em suas costas, proveniente de um punhal. Sabemos que foi um punhal, pois o mesmo foi entregue ao policial Simpson por Roberto da Costa, brasileiro, que está passando suas férias aqui nesta casa. Ele é noivo de Letícia Jones.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Roberto diz ter encontrado o punhal logo na entrada de seu quarto. Intrigado, ele apanhou o punhal do chão e reparou que havia sangue nele. Ele estava olhando para o punhal, quando o grito da empregada alarmou toda a casa. Logo, todos se encontraram no escritório, onde a empregada gritava desesperada e apontava para a cena dantesca da Sra. Jones morta&#8230;&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Os dois investigadores se olharam. Brasileiro&#8230; guitarrista e cabeludo&#8230; Provavelmente dando o golpe do baú&#8230; Somente suas impressões digitais no punhal&#8230; O inspetor comentou:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Pode ter sido um plano para confundir todo o caso. Afinal, se a empregada não tivesse recebido ordens para levar um chá para a vítima às 22:30, o crime só teria sido descoberto na manhã do dia seguinte.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Não senhor. A filha mais nova, Letícia, era o &#8220;anjo da guarda&#8221; da Sra. Jones. Toda a noite, às 23:00, a garota tinha que se certificar que a mãe ingeria o Lithium. Toda pessoa que é maníaco-depressiva, como a sra. Jones era, precisa ser vigiada nesse ponto, pois é comum que, na fase maníaca, o doente se recuse a tomar o remédio. Dessa forma, se a empregada não tivesse descoberto o crime, meia hora depois a filha o teria feito.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O inspetor sempre se impressionava com a eficiência de seu assistente. &#8220;Esse garoto vai longe&#8230;&#8221;. No entanto, não era o momento de se perder em devaneios. Ele seguiu perguntando em tom profissional:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Já averiguou o que cada um fez entre 21:30 e 22:30?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Sim. Ninguém ouviu nada, ninguém viu nada! Paul diz que ficou lendo na biblioteca. Richard e Letícia estavam em seus quartos, indispostos. A empregada Helena estava lavando os pratos na cozinha. Por fim, Roberto ficou na sala de música, colada ao escritório. Ele nega ter ouvido qualquer ruído por estar com o aparelho de som ligado. Logo após às 22:30, ele subiu para seu quarto. Foi quando encontrou o punhal e ouviu os gritos da empregada.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Nesse ponto, o assistente Gerard fez uma pausa significativa. O inspetor acompanhou o raciocínio, mas preferiu abordar outro tema:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- E quanto a herança?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Há um testamento antigo, feito ainda quando o Coronel era vivo. A herança ficou dividida em três partes iguais, uma para cada filho. Há uma quantia de dez mil libras para a empregada e mais cem mil libras em doações. No final das contas, cada irmão vai receber cerca de 5 milhões de libras.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Belo motivo para um crime. &#8211; disse o inspetor, assobiando.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Há um ponto interessante aqui, senhor! Encontramos vestígios de um papel grosso, do tipo que se usa em testamentos. Este papel foi queimado na lareira do escritório. Ainda não é época de acender a lareira, por isso suspeito que tenha sido queimado ontem à noite, tão depressa que alguns palitos de fósforo chegaram a cair da caixa, ficando espalhados ao lado da lareira.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Isso é no mínimo peculiar. Será que era um testamento novo? Conseguiram recuperar alguma parte?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Somente algumas palavras escassas, a letra era da vítima, já verificamos. Aqui está a lista das palavras recuperadas:</span></span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;a vida parece vai esm&#8230;&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;o vazio me enche&#8230;&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;preciso do&#8230;.. &#8230;. libertar.&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O inspetor analisou as frases e comentou:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Que tipo de testamento pode ser esse? Bem, de qualquer modo, temos que determinar se ela morreu devido a apunhalada ou devido ao tiro&#8230;..</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Em resposta a questão do inspetor, uma nova voz fez-se ouvir na sala:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Nem por uma causa, nem por outra. Ela morreu devido a ingestão de uma alta dose de cianureto de potássio, presente na xícara de chá que ela bebeu no escritório.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Quem disse isso foi o Dr. Shephield, médico legista que acabara de entrar na sala do inspetor. Por falar no inspetor, seus olhos estavam alarmantemente esbugalhados. Mal conseguiu balbuciar:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Pelo amor de Deus! Que loucura é essa? Isso é impossível!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Nem tanto&#8230; &#8211; continuou o médico. &#8211; O fato da vítima já estar morta explica a quase ausência de sangue nos ferimentos provocados pela bala e pelo punhal. Provavelmente, ela tomou o chá e caiu, com a cabeça pendida para o lado. Quem atirou, pelo lado de fora da casa, só deve ter visto a pobre mulher inclinada, e pensando que ela dormisse sentada, atirou no peito. Isso fez seu o corpo da vítima tombar um pouco para frente. Por fim, quem a apunhalou nem perdeu tempo observando nada. Apenas entrou na sala, viu a pobre mulher inclinada na cadeira e&#8230; Aproveitou a oportunidade para cravar o punhal e fugir rapidamente!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Que covardia! Atacar uma mulher pelas costas! &#8211; o inspetor estava indignado &#8211; Bem doutor, não me diga que o senhor achou MAIS alguma coisa na autópsia? Juro por Deus que se também houver algum traço de arsênico ou estricnina no sangue, eu mudo de profissão!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O Dr. Shephield ficou muito sério. Sua resposta foi precisa, como de costume:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Fique tranqüilo. Não encontrei absolutamente mais nada no sangue da Sra. Jones. O motivo da morte foi mesmo o cianureto. Também achei vestígios do veneno na xícara de chá que ela levou para o escritório. Vocês agiram muito bem ao enviar tudo para análise. A Scotland Yard não deixa escapar nenhum detalhe hoje em dia.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O assistente Gerard, pensando em promoções, falou logo:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Havia um vidro com cianureto de potássio entre os apetrechos de jardinagem. O Coronel Jones comprou o veneno uma vez para dar fim a um ninho de vespas.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O inspetor Schreiner levantou-se e comentou animado:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Vamos abordar primeiro a questão do punhal.. Quero ver o que acontece quando pressionamos um certo brasileiro&#8230; </span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Roberto da Costa estava desesperado. Nem as carícias amáveis de Letícia podiam consolá-lo:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Calma amor. Ninguém vai prender você. A polícia só está blefando&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Que nada! Eu ouvi as insinuações do inspetor. Aquele monte de perguntas sobre as minhas atividades no Brasil! Eles me querem como bode expiatório! Eu não apunhalei sua mãe! Você acredita em mim, não?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Letícia respondeu com o tom de voz que usaria para acalmar uma criança:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Eu sei, querido. Afinal, por que você faria uma coisa dessas? Fique tranquilo amor, eu acredito em você!</span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Thomas Gerard estava indo ao encontro de sua namorada. O dia havia sido extremamente estafante. O caso que estava investigando parecia não progredir muito. Nunca em sua carreira se deparara com tamanho enigma. O pior era ter que trabalhar seguindo os métodos do inspetor Schreiner, que não era propriamente um investigador de talento. O lema do inspetor parecia ser: &#8220;acusar todo mundo até que o culpado confesse&#8230;&#8221; </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ele chegou ao local marcado para o encontro, casualmente em frente a uma loja de cd´s. Nem sinal de sua namorada. Em um súbito impulso, Gerard entrou na loja. Havia algo que ele precisava tirar a limpo. Dirigindo-se ao vendedor, perguntou: </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Com licença. Estou procurando um cd com uma música de rock &#8216;N&#8217; roll muito famosa chamada &#8220;Fade to Black&#8221;. Conhece? </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O vendedor, que portava um crachá ponde se podia ler “Samael Darcangelo” não conseguiu disfarçar o espanto e falou entusiasmado: </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Quem não conhece esse clássico! Uma das mais famosas baladas do heavy metal! blá blá blá&#8230; &#8211; seguiu-se uma explicação de pelo menos meia hora sobre a importância da banda Metallica, sua história, etc., etc. E muito etcs. Na seqüência.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Gerard testou sua paciência ao máximo, mas chegou num ponto em que não resistiu mais e interrompeu o falatório: </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Claro&#8230; claro&#8230; está bem! Mas eu só estou precisando dar uma olhada na letra dessa música. </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O vendedor apanhou então um cd com uma estranha capa, misturando raios e uma cadeira elétrica, e alcançou-o para Gerard. Lá estava a letra: </span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;A vida parece, vai esmorecer, </em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>a deriva, cada vez mais longe&#8230;&#8221; </em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em></em>Naquele instante, Thomas Gerard percebeu tudo. Todos os fatos se encaixaram na ordem exata. Com certeza, sua promoção estava a caminho! Sua namorada, que chegava naquele instante, não conseguiu entender por que foi agarrada, jogada ao ar, abraçada e beijada efusivamente.</span></span></p>
<p class="western" align="justify">
<hr />
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><strong>PARTE II &#8211; SOLUÇÃO</strong></span></span></p>
<p class="western" align="justify">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O inspetor Schreiner, ainda sob o efeito da fantástica revelação do caso, comentava com o seu ex-assistente, agora também inspetor Gerard:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Ainda não consigo entender claramente tudo que aconteceu! Você deve ter usado uma bola de cristal para seguir a pista certa! Se nós não tivéssemos pressionado a empregada&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Thomas Gerard ajeitou-se na cadeira do pub local, onde o alto escalão da Scotland Yard costumava se reunir ao final do dia para comentar os assuntos do momento. Havia pelo menos cinco inspetores de olho na conversa, também ansiosos para entender direito o que havia ocorrido em Stylesford. Pacientemente, o inspetor Gerard pôs-se a recapitular todo o caso:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Às 21:30, Vitória Jones entra no escritório com uma xícara de chá na mão. Ela está numa grave fase depressiva de sua doença. Mais do que isso! Ela está pensando em se matar! Ela senta na cadeira perto da janela e escreve a sua carta de despedida. O conteúdo da carta é a letra de &#8220;Fade to Black&#8221;, que andava tocando muito naquela casa nos últimos dias. Tratam-se de palavras de despedida, por não mais suportar o peso da vida&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Ao terminar a carta, ela coloca cianureto de potássio, que havia previamente retirado do material de jardinagem, em seu chá. Em seguida, ela bebe o líquido envenenado e adeus Sra. Jones.&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;No entanto, Paul Jones estava imaginando que sua mãe faria um novo testamento em benefício dos pobres e resolveu agir antes que aquilo ocorresse. Ele apanhou a pistola com silenciador, aproximou-se furtivamente pela janela e, julgando que a mãe dormisse na cadeira, disparou&#8230; Canalha! Em seguida, escondeu a arma no quarto do odiado irmão, Richard.&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Porém, Richard também queria se livrar da mãe. Sendo um notório covarde, ele invadiu furtivamente o escritório, provavelmente minutos após a &#8220;atuação&#8221; de Paul, e atacou a mãe pelas costas, fugindo em seguida. Maldito seja esse covarde! Foi ele quem deixou o punhal na entrada do quarto de Roberto para tentar incriminá-lo.&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Finalmente, a empregada entra no escritório. Helena Polanski vê sua amada patroa morta. Aproxima-se do corpo e percebe os ferimentos. Imediatamente, nota que ela foi assassinada e sabe quem foram os malditos que fizeram isso! E mais do que isso! Ela vê também a carta ao lado do corpo, junto um vidrinho que ela já havia visto antes e sabia que continha veneno! Então, ela lê a carta e percebe que sua patroa cometeu suicídio!&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Ah! Mas os canalhas vão ter que pagar de algum modo! Rapidamente, ela queima a carta e esconde o vidro de cianureto. A polícia que investigue! Com uma marca de punhal e outra de bala, certamente ninguém vai procurar veneno no sangue da patroa. E, se acharem, ninguém deve saber que ela se matou. Os dois irmãos tem que sofrer pelo que fizeram!&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Nesse ponto, o inspetor Schreiner interrompeu:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- É! Mas infelizmente para Helena, a perícia do Dr. Shephield foi minuciosa e você matou a charada! Além disso, ela se esqueceu da xícara de chá! Foi só pressionar um pouco que ela confessou tudo! Coitada! Não posso deixar de inocentá-la. Ela tentou nos enganar, mas no fundo queria apenas que aqueles miseráveis pagassem de alguma forma!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O novo inspetor aproveitou a deixa:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- No entanto, aqueles dois canalhas não vão se livrar tão fácil assim! A Scotland Yard vai tentar levá-los ao tribunal, afinal de contas, eles tiveram a intenção de matar! De qualquer forma, a imprensa já caiu em cima dos dois! Vai demorar muito antes que tenham paz para aproveitar o dinheiro!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Pensativo, o inspetor Schreiner concluiu:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- A única que presta ali é a filha mais nova. Parece que ela e o tal Roberto partiram juntos para um paraíso tropical. Tomara que a linda moça aproveite bem o dinheiro que recebeu. Poucas pessoas neste mundo merecem a felicidade&#8230; </span></span></p>
<p class="western" align="center">
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212; </span></span></p>
<p class="western" align="center">
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Letícia Jones estava observando seu amado noivo mergulhar nas ondas azuis do mar caribenho&#8230; Um rolo de capim passou pelo cenário, enquanto Letícia refletia e concluía que ela e Roberto tinham uma bela vida juntos pela frente e cinco milhões de libras garantiriam o futuro.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ela segurava na mão um pequeno frasco, sorria e pensava consigo mesma:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;Que tolos! Paul sempre foi intrépido e Richard sempre foi um covarde! Não me admira que tenham agido daquela forma tosca! Quase colocaram tudo a perder! Bem feito! Que a imprensa os massacre por quase arruinarem os meus planos! Será que meus irmãos nunca perceberão que a sutileza é a melhor arma?&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Sim, e como Letícia havia sido sutil! Primeiro fingir depressão e fazer o clima da casa ficar péssimo. Depois, trazer o noivo para dentro do lar e insistir em ouvir sempre aquela música sobre morte e suicídio&#8230; Pobre Roberto! Tão ingênuo. Ela dizia que &#8220;Fade to Black&#8221; era a única coisa que a animava um pouco. Será que ele não podia pô-la para tocar de novo?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A velha mãe, de saúde frágil, não demorou muito até entrar numa fase depressiva de sua doença. Uma daquelas fases em que havia grande risco de suicídio&#8230; Um risco muito ampliado, devido ao ambiente que sua filha estava cuidadosamente criando nas últimas semanas.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">É claro que, se sua mãe estivesse tomando aquela alta dose de Lithium todas as noites, certamente o risco de suicídio seria bem menor. Isto é, <em>se estivesse tomando</em>, pois o que Letícia tinha em suas mãos agora era o último frasco de Lithium, que ela havia habilmente furtado logo após a descoberta da morte. Neste frasco, havia apenas pílulas de água com açúcar. Uma pequena, mas brilhante idéia&#8230; Uma idéia que valeu cinco milhões de libras.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8220;É engraçado&#8230;&#8221; &#8211; pensou Letícia &#8211; &#8220;A polícia chegou a ter o caso nas mãos! O Dr. Shephield foi muito eficiente ao descobrir cianureto de potássio no sangue. Mas, ao mesmo tempo, ninguém notou o elemento que faltava! Tivessem tido mais atenção e teriam percebido que não havia nenhum traço de Carbonato de Lithium no corpo de minha mãe.&#8221;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="center"><strong><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">F I M</span></span></strong></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/5/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/5/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=5&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Anjo Mais Belo</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 02:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
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		<description><![CDATA[ Capítulo I &#8220;Cannot kill the battery Cannot kill the family Battery is found in me Battery&#8221; (J. Hetfield &#8211; L. Ulrich) Daniel Roberto Litwin era um belo exemplar da raça humana. Louro de olhos azuis, esbelto e forte, no auge dos seus 23 anos, era sempre atencioso e gentil para com todos. Um estudante universitário [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=4&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"> <span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><strong>Capítulo I</strong></span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Cannot kill the battery<br />
Cannot kill the family<br />
Battery is found in me<br />
Battery&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>(J. Hetfield &#8211; L. Ulrich)</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel Roberto Litwin era um belo exemplar da raça humana. Louro de olhos azuis, esbelto e forte, no auge dos seus 23 anos, era sempre atencioso e gentil para com todos. Um estudante universitário que obtinha sempre as melhores notas, um futuro advogado, enfim, o sonho de qualquer garota. Nenhuma delas, no entanto, sequer podia imaginar que por trás daquela bela imagem, escondia-se um cruel <em>serial killer</em>&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Na verdade, nem ele mesmo poderia dizer com certeza o que ocorreu e como as coisas haviam chegado àquele ponto, mas as mudanças em sua personalidade começaram quando ele saiu com as primeiras mulheres. Certa vez, quando brigou com uma delas, sentiu um estranho prazer ao apertar o braço da garota. A dor que ela sentia dava para Roberto um prazer maior do que o proporcionado por qualquer tipo de beijo.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">No início, Daniel até tentou refrear seus instintos, mas logo sucumbiu aos perversos desejos que sentia. Desde então, nunca mais ficou com uma namorada por mais que três meses, pois tudo acabava na primeira noite que passavam juntos. Seu comportamento sexual cada vez mais agressivo intimidava e apavorava suas acompanhantes, mas ele era indiferente ao terror que causava. O princípio era simples: quanto mais dor elas sentissem, melhor.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O rapaz era cuidadoso e jamais ficava com garotas conhecidas na sociedade, preferindo sempre as mais tímidas, incapazes de espalhar &#8220;estórias&#8221; absurdas a respeito desse moço sério e estudioso.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O tempo foi passando e Daniel livrou-se de suas inibições e de seus medos, estava confiante em si mesmo, tornou-se cada vez mais ousado, até que um dia, ocorreu o inevitável.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Karen era uma ruivinha de apenas 15 anos, dessas que já começam a freqüentar festas desde muito cedo, tentando provar mais para si mesmas do que para os outros que já são mulheres. Ela já saíra duas vezes com Daniel e naquela noite ele a levou até um lugar deserto, na periferia paulistana.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Feche os olhos, tenho uma surpresa para você&#8230;.&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Excitada, ela obedeceu, mas ao invés de um doce beijo, recebeu um violento soco que a desacordou imediatamente.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel era realmente muito precavido e já havia pensado em tudo. Arrastou Karen para fora do carro, antes de esfaqueá-la. A sensação que sentiu quando a faca penetrou no abdômen daquela pequena garota indefesa foi indescritível. Sem dúvida, mil noites de amor não se igualariam àquele momento.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Foi muito fácil ensacar e depois jogar o corpo em uma das lixeiras da zona industrial. São Paulo, uma cidade violenta, onde moças solitárias podem ser mortas por vagabundos a qualquer hora da noite. Daniel contava com 15 milhões de pessoas que lhe forneciam o anonimato das multidões. Quem poderia suspeitar do rapaz prestativo, que abominava a violência e pertencia a elite?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O sucesso de seu primeiro assassinato o empolgou. Daniel precisava voltar a matar para sentir aquele prazer doentio novamente. Suas vítimas eram de preferência moças novas, uma virgem era sempre o alvo mais procurado. Os crimes tornaram-se cada vez mais odiosos. Os jornais já publicavam artigos, apelidando o maníaco de &#8220;<em>Jackreisson, o Estripador da Periferia</em>&#8220;, uma versão terceiro-mundista do famoso assassino de mulheres que aterrorizou Londres no final do século XIX.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Durante o outono e o inverno, ele fez mais quatro vítimas, sempre sem deixar pistas para a polícia. Ninguém via o homem que conversava com as garotas, pois ele tomava o cuidado de abandonar qualquer uma que o apresentasse a uma amiga ou algo do gênero, além do mais, a ineficiência da polícia e o sensacionalismo barato da imprensa levavam as suspeitas cada vez mais para a periferia.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Todo psicopata pode levar uma vida normal nos intervalos de seus crimes. Além de inúmeros amigos, Daniel também tinha colegas que lhe eram muito próximos e o conheciam de longa data. Pode-se dizer que Gustavo Lemes e sua irmã Ana Paula conheciam Daniel desde a infância e, quis o destino, que eles estudassem juntos até a universidade. Recentemente, Raquel Campos havia se juntado a este grupo íntimo de amigos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Todos na elite paulistana já tinham ouvido falar de Raquel Campos, uma das herdeiras da imensa fortuna de João e Leda Campos, ambos falecidos em um desastre de automóvel havia poucos meses.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Raquel, uma morena de lindos olhos castanhos amendoados havia ficado órfã, com apenas 21 anos, e agora tinha a responsabilidade de cuidar da irmã mais nova, Tatiane, e também de administrar toda a fortuna da família. Não haviam mais parentes vivos, eram somente elas duas e, como dizia ela, muita coragem para enfrentar a vida. Portanto, qualquer gavião interesseiro sabia que elas eram o melhor partido da cidade, lindas e ricas. Gustavo, sempre muito ligado aos bens materiais, já tinha avisado Daniel:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Nem se dê ao trabalho de conhecer a Tatiane, pois ela é só uma sombra da Raquel. É essa potranca que controla o dinheiro deixado pelos pais! Uma grana preta, meu! Vale a pena investir numa cantada para tentar a sorte! E você viu como ela olha pra você? Ah! Se ela me dessa essa bola&#8230;&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel sorria dessa possibilidade e da ingenuidade do amigo, pois definitivamente, não era dinheiro que o atraia&#8230; Se Gustavo realmente soubesse do que Daniel gostava!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Era um sábado comum na universidade, tudo tranqüilo nas áreas de pesquisa e biblioteca, quase desertas. Raquel trouxera sua irmã para fazer as inscrições para o vestibular do final de ano.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tatiane era muito parecida com a irmã, apesar de ser mais nova, porém, na opinião de Daniel, ela era muito mais ingênua, com aquele olhar inocente da infância perfeitamente preservado no rosto. Seria uma vítima perfeita quando estivesse ao seu alcance. Só que, por hora, as intenções dele eram outras&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A doce sensação de impunidade deixou Daniel cada vez mais ousado. Ele estava muito perto da absoluta falta de controle. Faltava ainda uma experiência a ser feita. Qual seria a sensação de matar uma amiga? Teria ele coragem para tanto? Ele já tinha tudo planejado para esse sábado. Deixando Raquel e sua irmã sem sal de lado, ele ficou na biblioteca, pesquisando&#8230; Na verdade, estava apenas aguardando o momento em que sua amiga de infância, Ana Paula, largasse o livro que estava lendo e fosse até o banheiro feminino. Daniel seguiu os passos da garota até chegar ao banheiro, e, atacando-a pelas costas, matou-a lá mesmo. Porém, uma sensação de pânico o atingiu, quando terminou de estrangular a moça. O assassino sentiu que alguém o observava! Havia mais alguém lá! Alguém que o espreitava nas sombras!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ele olhou rapidamente para a porta, a tempo de vê-la ainda balançando. Correu até o corredor, observou, mas não havia ninguém por perto. Só então percebeu a loucura que havia feito. O prazer do momento não compensava o pavor que estava sentindo. Agindo depressa, conseguiu esconder o corpo em um carrinho de coleta de lixo, deixado pela faxineira.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel teve muita sorte. Ninguém notou quando ele recolheu o material de estudo de Ana Paula, levando-o embora, junto com o seu. Cobrindo o corpo de sua colega com o lixo, esperou o zelador terminar seu serviço, levando o coletor para os fundos da universidade para ser recolhido no dia seguinte. Daniel só teve que voltar com seu carro à noite, e &#8220;roubar&#8221; o corpo da lixeira, depositando-o num beco distante.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A sensação de alívio por não ter sido descoberto não servia para afastar de Daniel a impressão de que alguém o tinha visto. Em seus sonhos, que já eram pesadelos, ele sentia dois olhos frios como os de uma cobra, cravados nele. Olhos insanos a observá-lo, cientes do que ele havia feito. Olhos maus penetrando em seu mais profundo segredo, invadindo sua alma e enchendo-o de um terror nunca antes experimentado.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel não estava preparado para aquela sensação. Passou semanas doente, com febre alta. Todos diziam que a morte da amiga o abalara profundamente. Ele andou na linha por algum tempo, pois os &#8220;olhos frios&#8221; ainda o impressionavam muito e havia também a polícia, que apesar da incompetência, tinha sua atenção voltada agora para a universidade.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tudo se complicava e ganhava um ar de mistério. Uma denúncia anônima informou a polícia de que um homem estranho, com mais de 40 anos, dera uma carona para Ana Paula naquele sábado fatídico. Isso desviou um pouco o foco das investigações. Mas afinal, quem estava tentando ajudar Daniel?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Quase no fim do semestre, ele esbarrou novamente na irmã de Raquel, porém, o encontro nessa ocasião foi diferente. Tatiane estava apressada, trazendo uns livros que a irmã havia esquecido em casa. Na corrida, acabou esbarrando em Daniel e os livros se esparramaram pelo chão. A moça usava um vestido branco, que se encaixava perfeitamente em seu corpo esguio, deixando suas lindas coxas à mostra. Seus cabelos variavam de um castanho claro para um tom mais escuro, eram cabelos leves e longos que esvoaçavam até mesmo com a menor brisa. E seus olhos&#8230; Ah! Seus olhos, que olhos! Eram de um castanho profundo, que combinavam perfeitamente com os cabelos. Olhos límpidos, olhos da inocência. Sem dúvida, pensou Daniel, Tatiane era o anjo mais belo que já existira na Terra.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Quando terminaram de recolher os livros, a garota se ergueu, falando extremamente envergonhada:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Desculpe-me, sou tão desajeitada&#8230; Raquel esqueceu estes livros, não sei o que deu na cabeça dela! Como alguém pode estudar sem nenhum material?</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Sua voz era como veludo, com um tom suave e delicado. Daniel sabia reconhecer esta voz, tímida, acanhada, a voz de uma vítima! Um frenesi apoderou-se dele, decidiu matar aquele anjo sem mais demora.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Porém, Tatiane saiu da universidade em seguida, pois Raquel não havia aparecido por lá naquele dia. Foi somente às três horas da tarde, para alívio de Daniel, que o anjo reapareceu, dirigindo-se à biblioteca pública.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Às quatro horas, Tatiane encaminhou-se para a saída, parando no saguão para dar um telefonema. Daniel ficou apreensivo, pois ela estava com várias amigas de Raquel. A ligação devia estar péssima, pois ela precisava falar muito alto ao telefone:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Raquel, você está me ouvindo? Ocorreu um imprevisto e eu não vou poder ir ao parque me encontrar com você&#8230; Vou direto para o shopping, certo? Encontro você lá, ok?&#8230; Um beijo&#8230; Tchau!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Ela desligou e disse para as amigas:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Minha irmã é o cúmulo! Além de gazear aula, ainda me pede para vir fazer pesquisa por ela e agora quer que eu a encontre no parque Vitória. Não vou ter tempo de ir até lá! É muito abusada!</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Para a extrema felicidade de Daniel, Tatiane mandou as amigas para o shopping do centro, dispensando seu segurança particular com elas, e pôs-se a andar a pé pelas ruas da cidade. Seu amigo Gustavo quase estragou tudo, aparecendo em seu caminho de repente, dizendo querer conversar sobre Ana Paula. Resmungando, Daniel apressou-se em dizer qualquer coisa e seguiu rapidamente atrás da sua &#8220;presa&#8221;.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tudo parecia perfeito. A pobre moça indefesa andando só e desprotegida pelas ruas violentas da cidade. Ele a perseguia a poucos metros de distância, enquanto imaginava o que fazer com aquele corpo macio. A dor que poderia causar, aqueles olhos castanhos enchendo-se de lágrimas salgadas, deliciosas&#8230; Um prazer insano apoderava-se de seu corpo.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Este seria seu mais ousado crime. Matar uma das herdeiras de um império. Daniel estava exultante, roçando constantemente a faca que sempre trazia consigo; mal podia esperar a hora dela ficar sozinha em algum lugar deserto.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tatiane parou em uma loja de artigos finos, onde comprou uma calça e jaquetas pretas, saindo da loja já vestindo o conjunto. Seu cabelo agora estava preso. Daniel quase a perdeu de vista. Felizmente, ela andava devagar e sua enorme bolsa era de fácil identificação.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A perseguição durou ainda um quarto de hora, até que a garota dirigiu-se para o parque Vitória, um lugar com fama de violento, perfeito para um crime.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel vibrava! Tinha a certeza que poderia continuar com seus crimes para sempre, nada jamais o deteria. Para sempre, uma eternidade de prazer! Estava tudo perfeito. Agora era só uma questão de minutos&#8230; Aquele anjo iria morrer, lenta e dolorosamente. No entanto, algo o incomodava. Desde que iniciara a perseguição, ele tentava lembrar de algo antigo, que lera certa vez. Uma lenda sobre anjos, algo que, sem dúvida, era muito importante, mas que ele não conseguia lembrar de jeito nenhum.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Uma atitude inesperada de Tatiane surpreendeu seu perseguidor. Ela saiu da estrada e entrou atrás de alguns arbustos isolados. Parecia um milagre de tão conveniente! Daniel, já com a faca na mão, andou em direção aos arbustos. Foi então que teve um repentino calafrio e pela primeira vez lhe ocorreu que ele <em>tinha escutado Tatiane dizer que não iria ao parque Vitória!</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em></em>Este e outros pensamentos começaram a brotar no cérebro de Daniel. Um temor apoderou-se de seu ser. Havia algo muito errado, algo conveniente demais&#8230; Não, não era possível! Aquela sensação, aquela lenda antiga que ele não conseguia lembrar&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Respirando fundo, ele afastou os arbustos e viu&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">&#8212;</span></span></p>
<p class="western" align="center"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><strong>Capítulo II</strong></span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Do you believe in forever?<br />
I don’t even believe in tomorrow<br />
The only thing that last forever<br />
are memories and sorrow&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="right"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>(Peter Steele)</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Respirando fundo, ele afastou os arbustos e viu&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">A poucos metros de distância, um corpo jazia inerte. O corpo de uma moça de cabelos castanhos escuros, presos. Uma poça de sangue coagulado formava-se a partir de seu abdômen, manchando a jaqueta e as calças pretas que ela usava.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">O rosto, virado de lado, tinha uma expressão de espanto, de incredulidade. E os olhos! Muito abertos, pupilas dilatadas; eram olhos apavorados, olhos de uma vítima. Os olhos de Raquel Campos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel observava aquela cena dantesca, atônito, quando um calafrio percorreu sua nuca. Sentiu aqueles mesmos olhos maus que o haviam observado enquanto matava Ana Paula. Sim! Aqueles olhos felinos estavam observando-o de novo. Atrás dele! Ele sabia o que ia acontecer. Corajosamente, voltou-se para encará-los&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tatiane atirou à queima-roupa. Um disparo perfeito e a bala atingiu o peito de Daniel. Este tombou pesadamente, com o sangue invadindo sua garganta, impedindo-o de gritar. Não havia ninguém por perto, mesmo assim, seria difícil ouvir um disparo de uma Lugher com silenciador.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Dizem que lembramos de toda nossa vida na hora da morte. Na velocidade de um raio, Daniel ao menos recordou a última parte.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Enquanto gemia, sentindo uma fria escuridão apoderar-se de sua alma, pôde observar a destreza com que Tatiane agia. Primeiro, ela colocou a arma nas mãos da irmã morta. Em seguida, retirou seu traje preto, voltando a vestir o vestido branco e desprendendo o cabelo. Por fim, retirou uma faca suja de sangue de trás de alguns arbustos e trocou-a pela que ele ainda segurava nas mãos.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tudo estava claro, agora! Pena que era tarde demais e a vida ia se esvaindo rapidamente de seu corpo. Como havia sido tolo! A maneira como ela anunciou para todos, aos gritos, que sua irmã estava sozinha no parque Vitória. A destreza com que ela dispensou os seguranças, para que pudesse ir até a loja, comprar uma roupa igual a que a irmã estava usando. Até a demora, esperando o anoitecer, para que ninguém a reconhecesse entrando no parque. Mais tarde, a polícia colheria interrogatórios e certamente todos diriam ter visto uma moça de preto entrando no parque, mas ninguém veria uma moça assim sair de lá.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Raquel devia ter sido morta horas antes, ainda pela manhã. Deve ter sido fácil atrair a irmã, sob um pretexto qualquer, para atrás daqueles arbustos, e esfaqueá-la em seguida, deixando-a agonizar. Então, a única preocupação de Tatiane foi ir para a universidade e atrair o pato para a armadilha.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Tatiane Campos havia penetrado na alma de Daniel. Desde que o vira matar, ela soubera exatamente o que o atraia em uma mulher. Desempenhou com maestria o papel de virgem desamparada. A pobre menina tola&#8230; Aquele anjo que agora olhava-o com seus olhos castanhos profundos, parecendo estar com pena dele, mas certamente estava somente analisando as possibilidades de Daniel não morrer logo, o que seria muito inconveniente.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Daniel podia imaginar as manchetes do dia seguinte:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Estripador da Periferia era playbouzinho de elite!&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8220;Raquel Campos morre em tragédia!&#8221;</em></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><em></em>Tatiane, que antes era apenas um capacho de sua irmã, agora era a feliz e única herdeira do império Campos. Só tinha que sair do parque e esperar pela triste notícia da tragédia. Os olhos dela já não tinham a pureza de uma virgem. Ao contrário, eles brilhavam com um fogo selvagem, impulsivo e incontrolável. Ela estava mais bela do que nunca. Daniel conseguiu murmurar suas últimas palavras:</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">- Anjo&#8230; demônio&#8230;</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">E então, ele morreu.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Com um sorriso nos lábios, Tatiane se afastou, desaparecendo nas trevas que envolviam as últimas luzes do dia.</span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;">Segundo as antigas lendas, Lúcifer era o anjo mais belo do paraíso&#8230;</span></span></p>
<p class="western" style="text-align:center;"><span style="font-family:Bookman Old Style, serif;"><span style="font-size:small;"><strong>FIM</strong></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/psicopatinho.wordpress.com/4/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/psicopatinho.wordpress.com/4/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/psicopatinho.wordpress.com/4/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/psicopatinho.wordpress.com/4/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=4&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quem Matou Virginia Woolf?</title>
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		<pubDate>Fri, 30 May 2008 17:29:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Samael</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[Um conto de Lorde Samael Darcangelo, Dedicado ao amigo Luis Bianchi   Aquele trecho do pequeno rio Ouse estava particularmente sombrio no dia 28 de março de 1941. O céu cinzento, a ausência absoluta de vento e a vegetação tipicamente inglesa, com sua coloração outonal, davam ao cenário um clima de A Lenda do cavaleiro Sem Cabeça, de Tim Burton. A [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicopatinho.wordpress.com&amp;blog=3841199&amp;post=3&amp;subd=psicopatinho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="western" style="text-align:right;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Um conto de <strong>L</strong>orde <strong>S</strong>amael <strong>D</strong>arcangelo,</span></span></span></p>
<div style="text-align:auto;">
<p class="western" style="text-align:right;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Dedicado ao amigo Luis Bianchi</span></span></span></p>
<p class="western" style="text-align:right;"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Aquele trecho do pequeno rio <em>Ouse</em> estava particularmente sombrio no dia 28 de março de 1941. O céu cinzento, a ausência absoluta de vento e a vegetação tipicamente inglesa, com sua coloração outonal, davam ao cenário um clima de <em>A Lenda do cavaleiro Sem Cabeça</em>, de Tim Burton. A diferença é que tinha uma moita no canto do caminho, no canto do caminho tinha uma moita.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Era uma moita estrategicamente bem situada, de onde era possível ver a estrada que levava até a margem do riozinho.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Atrás dessa moita estavam agachados, de tocaia, três homens, todos eles vestindo longos capotes cinzentos e chapéus de Sam Spade. São os heróis desta história, os bravos e valentes <em>Detetives do Tempo</em>, que trabalham para a S.P.Y.©. Talvez o leitor nunca tenha ouvido falar dessa agência, justamente porque é algo tão secreto e poderoso que praticamente o mundo inteiro desconhece seu poder e sua influência na sociedade moderna. No entanto, o fato é que a agência existe e é paraguaia. Isso mesmo! Por décadas são eles, os paraguaios, que estão no comando, determinando os rumos que o mundo deve seguir. Enquanto que, abertamente, os Estados Unidos surgem como grande potência mundial, na verdade são os paraguaios quem ficam dando as cartas por debaixo dos panos, usando os americanos como testas-de-ferro, para que esses ingênuos ianques recebam todo o ódio mundial que deveria ser destinado ao Paraguai.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">A base da S.P.Y.© fica em Ciudad Del Est, que recebe a visita diária de milhares de agentes disfarçados de sacoleiros brasileiros. Eles vão lá, entregam seus relatórios, recebem novas missões e logo partem para todos os cantos do mundo. Liderada por cientistas, a S.P.Y. – <em>Sentral Paraguaya de Ynteligência</em> – é a organização secreta mais poderosa do planeta. E a prova de que são cientistas brilhantes que estão no comando da organização pode ser obtida reparando no precário domínio de ortografia e gramática apresentado pelos mesmos.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Um grupo sob o comando da S.P.Y.©. são os <em>Detetives do Tempo</em>, agentes especialmente preparados para viajarem ao passado, com a missão de observar importantes fatos históricos, descobrindo assim se a História contada nos livros está de acordo com a realidade ou não.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Os três agentes atrás da moita, naquele dia cinzento, foram enviados pela S.P.Y.© para descobrir se a escritora inglesa Virginia Woolf havia mesmo cometido suicídio. A princípio, parecia não haver dúvidas a respeito disso. Porém, ninguém conseguiu explicar claramente como alguém conseguiu se afogar num rio de águas rasas, onde bastaria ficar em pé, no meio do rio, para que a água batesse na cintura. A missão dos detetives do tempo era justamente observar atrás da moita, sem jamais interferir na História, e averiguar se a escritora realmente cometera suicídio ou se um crime acontecera naquele local sem ninguém jamais ter tomado conhecimento do fato.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">O agente do meio, líder do grupo, era um tipo alto, forte e metido a galã. Tirando do bolsinho do colete um relógio de bolso (compatível com os anos 40), ele consultou as horas, pois já estava ficando impaciente. O jovem a sua esquerda não parava de se mexer, excitado. Foi o jovem quem quebrou o silêncio:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Samael! Mal posso esperar para saber o que ocorreu de verdade com a grande escritora Virginia Woolf! Sou o maior fã dela, sabe? Li todos os seus livros e tenho certeza que uma escritora desse calibre jamais se mataria assim, num rio raso. Estou convencido que foi assassinato e vamos poder fazer justiça para ela, revelando em nosso tempo a identidade do criminoso! Mal posso esperar! Eu sei tudo sobre Virginia Woolf porque eu vi aquele filme baseado no livro do fantástico Michael Cunnigham&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Samael interrompeu:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Tá bom, tá bom, Luis. Agora, fique calmo e lembre-se que não podemos mudar a História. A S.P.Y.© manda sempre dois agentes para investigar o passado, justamente para que um impeça o outro de interferir.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Aproveitando a deixa, André Lopes, o detetive que estava a direita do todo-poderoso, exclamou em um tom um pouco exaltado:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Pois então! A agência manda sempre dois agentes! Então, que diabos eu estou fazendo aqui? Eu estava lá, andando feliz da vida na minha autobahn, quando fui abduzido e cai de pára-quedas nesse conto! Não é justo!</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Ora, ora, <em>my old friend</em>. Não se lamente, pois eu já expliquei. Você veio aqui para receber de volta aquilo que lhe foi roubado.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Pairou o silêncio no ar. Nada acontecia, exceto os pulinhos de excitação de Luis. Um inexplicável rolo de capim, trazido por um vento além da imaginação, atravessou o cenário e desapareceu em seguida. Samael perguntou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Está vendo alguma coisa, Luis?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Nada! Tem muita vegetação verde entre nós e a estrada, não consigo ver ninguém chegando ao longe.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Samael tirou um par de óculos de lentes verdes do bolso e passou-os para Luis, ordenando que os colocasse e observasse novamente o caminho. Luis colocou os óculos e ficou maravilhado. As cores do mundo desapareceram. Tudo o que ele enxergava eram variações na intensidade da luz. Ao mesmo tempo, tudo ficou mais nítido. E assim, ele olhou novamente para o caminho e exclamou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Incrível! Estou vendo o nariz de Virgínia Woolf apontando lá na curva, há mais de duzentos metros daqui!</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Hmmm. – ponderou Samael – Logo, logo o restante do corpo dela também estará chegando aqui. Vamos nos preparar para observar tudo!</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Que óculos incríveis! – exclamou Luis – mas o que aconteceu com a cor do mundo?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Simples. Os óculos <em>Oliver Sacks</em>©  cortam a comunicação entre as células T2 e T4 do cérebro. Graças a esse corte, o cérebro não processa mais as cores do mundo, deixando-o cinza e extremamente nítido.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Luis retirou rapidamente os óculos e devolveu-os para Samael. O tempo passava. Virginia se aproximava lentamente das margens do rio. Incapaz de segurar sua língua, Luis cochichou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Que escritora! Linda! Formidável! Sabiam que foi ela quem primeiro defendeu os direitos trabalhistas das mulheres, afirmando que elas mereciam condições humanas para trabalhar?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Samael comentou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Engraçado! Mercedita Dolores não devia saber disso.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Quem?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- A empregada da srta. Woolf, que trabalhou com ela por mais de vinte e cinco anos. Sabe, Mercedita escreveu um livro contando que sua patroa era uma mulher temperamental, que tratava com muito rigor todos os empregados. Não lhes dava folga, xingava-os o tempo todo e mantinha todos os quatro trancados em um quartinho minúsculo.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Luis ficou abalado. A cabeça pendia de um lado para o outro:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Ué&#8230; Eu não sabia disso. Não estava naquele filme&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">André interrompeu:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Samael! O nome da empregada não é Mercedita Dolores! Agora você deixou uma cratera enorme, onde cabem você e todos os ursos polares da Ilha de Lost!</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">O líder dos detetives retrucou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Viu? Eu não disse que você estava aqui por um bom motivo?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">A escritora inglesa estava na beira do rio, olhando a paisagem, de costas para a moita. Luis, ainda abalado, olhava para ela. Ele comentou:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Bom, todo mundo tem um ou outro defeitinho. Felizmente, as palavras que ela deixou escritas para o marido revelam que ela era capaz de despertar o amor nas pessoas. Ele certamente a idolatrava! Eu vi naquele filme baseado no fantástico livro do Michael Cunnigham&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Samael interrompeu, irritado:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Ô Luis! Se você vai ter outro fluxo-de-consciência, procure outra moita! Quanto ao sr. Leonard Woolf, é bom você saber desde já que ele escreveu um livro relatando a história de uma mulher frívola, mesquinha e mandona, que era uma verdadeiro horror. Toda sociedade inglesa reconheceu na personagem uma caricatura de sua esposa. Virginia ficou tão desolada com a critica pública do marido que tentou se matar. Para encobrir o escândalo, do qual era culpado, o marido trouxe a escritora para esse fim de mundo aqui. Veja então que nem a empregada, nem o marido, devem ter assistido <em>aquele filme</em>&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">O jovem detetive calou-se, perplexo. Uma vida inteira admirando alguém e, de repente, no momento em que iria descobrir a verdade sobre a morte de sua “deusa”, essas revelações terríveis vinham à tona.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">André distraiu Samael, perguntando:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Não tem mais ninguém aqui além de nós. Parece claro que ela vai se matar dentro em breve e que não houve assassinato algum&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Vamos esperar até o fim! E vamos esperar quietos! E isso vale, sobretudo, para você, Lui&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Era tarde demais. Luis já não estava mais atrás da moita. O jovem detetive, com lágrimas nos olhos, vendo que sua deusa tinha pés de barro, catou uma pedra no chão, aproximou-se rapidamente da escritora e aplicou-lhe uma vigorosa pedrada na cabeça. Encheu os bolsos dela com pedras e jogou-a no riacho. Foi este o fim de Virginia Woolf.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Ay, Caramba! – gritou Samael.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Ai, Jesus! – exclamou André.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Os detetives se reuniram na margem do riacho, enquanto o corpo ia sendo levado pela correnteza. Sem perder tempo, Samael acionou um botão escondido na lapela do capote. Uma luz azul envolveu os três e eles sumiram do local.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><strong>Epílogo</strong></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><em><strong>Parte Final do Relatório de Samael Darcangelo Sobre os Eventos Ocorridos em 28 de Março de 1941</strong></em></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><em>&#8230; E então o detetive Luis, fã ardoroso de Virginia Woolf, enlouqueceu ao descobrir que ela era humana como todos nós. Antes que pudéssemos impedi-lo, ele deu vazão a sua ira, matando-a. Fugimos do local rapidamente, retornando aos dias de hoje para traçar um plano de ação, uma vez que o passado havia sido adulterado, quebrando a lei.</em></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><em>Eu e André decidimos que o melhor era simular um suicídio da escritora. Então, voltamos novamente no tempo e o André Lopes escreveu uma carta de despedida falsa que foi plantada na casa de Virginia Woolf para corroborar a história de que ela se matou.</em></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><em>Luis continuava catatônico, sem dizer coisa com coisa. O que fazer com ele? Decidi apagar sua mente e soltei o jovem nos anos 70, com uma identidade falsa. Creio que assim, ele terá oportunidade de reconstruir sua vida da melhor maneira possível.</em></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Na cafeteria da S.P.Y.©, Samael e André bebiam xícaras de chocolate quente. Passado todo o sufoco, restava esperar pela decisão dos chefões sobre se eles continuariam sendo detetives do tempo ou se apareceriam boiando em algum açude qualquer.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">André, fitando o fundo de sua xícara, disse:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Acho que eles vão perdoar nossa falha&#8230;</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Espero.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Pobre Luis. Sua primeira missão no tempo! Ele jamais deveria ter ido conosco sendo um fã tão ardoroso de Virginia Woolf! Espero que encontre seu caminho na nova vida que você lhe deu.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Também espero.</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- A propósito! Qual foi o nome falso que você arranjou para ele?</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"> <span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><span>Naquela corrida toda para consertar as coisas, Samael nem tinha parado para pensar naquilo. De repente, começou a rir sem parar. André o fitou, atônito.</span></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">Quase sem fôlego, Samael revelou a nova identidade de Luis:</span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;">- Michael Cunnigham!</span></span></span></p>
<p class="western" style="text-align:center;"><span style="color:#000000;"> </span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:'Bookman Old Style', serif;"><span style="font-size:small;"><strong>FIM</strong></span></span></span></p>
<p class="western" align="justify"> </p>
</div>
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